Bispo Alexandre Rodrigues Metello
Teólogo, Missiólogo,
Pedagogo, Advogado, Professor de Português-Literatura,
Filósofo, Sociólogo, Historiador, Psicanalista e Psicoterapeuta.
O DEUS AMOROSO E O ESTADO DE REFRIGÉRIO!
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. (Romanos 5:8).
Introdução:
Como advogado, eu sei a importância de uma prova. Quando um cliente me procura, eu sempre indago se ele tem provas ou não. A prova é importante para o que se afirma e para o que se infirma. A prova é tão importante que ela se desdobra em meios lícitos de produção, tais como, depoimento pessoal, testemunhal, documental, pericial e inspecional. A prova em nosso ordenamento jurídico pode ser considerada de um lado ilícita ou ilegítima, e de outro lado lícita e legítima, a depender, é claro, se está ligada ao Direito substantivo ou adjetivo.
I – Qual é a maior prova do amor de Deus por nós?
A maior prova do amor de Deus por nós é a morte do Senhor Jesus Cristo, como está escrito: Ele morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
Muito me impressiona o fato de ler na Bíblia e constatar na história a manifestação do Deus amoroso. Para falar em Deus amoroso, é preciso ter em conta que tudo que sabemos d’Ele, ou seja, de Deus, é o que Ele próprio revelou. Como está escrito, leia-se:
“As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”. (Deuteronômio 29:29). Temos por muitas vezes ensinado que existe a verdade do Deus absconditus (das coisas encobertas), bem como, existe a verdade do Deus revelatus, quer dizer, do Deus que se revela. Devemos nos contentar com as notabilidades perceptíveis do caráter de Deus, que alguns chamam de atributos. Dissentimos da dicção “atributo”, uma vez que, ninguém pode atribuir nada a Deus, mas albergamos a ideia de notabilidade, porque, podemos notar, perceber quem Ele é, em acatamento do que a Bíblia ensina e em consideração do que Ele fez e faz e sempre fará por todos nós.
Agora, o que Ele revelou constatamos na História. Quantos milagres? E, quantas maravilhas?
Como lecionou o Doutor Peter Wagner os dons do Espírito Santo acompanhados dos milagres são como iscas nas mãos de Deus, de sorte que somos atraídos por Deus, por Seu amor, como está escrito:
“Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí”. (Jeremias 31:3).
Da leitura hebraica extraímos, verbis:
‘Ahavat ‘Olam (é um te amarei para sempre). Que sossego temos quando tomamos conhecimento que Deus nos ama para sempre e tem “hesed”(amor pactual por nós), como está escrito: “...meshaketih hased” (te atraí com misericórdia, amor pactual). Bom de ver que, no livro de Salmos, especificamente no Salmo 136, em todas as rabiolas de cada versículo, lemos no vernáculo: “Porque a sua benignidade (misericórdia) dura para sempre”. Todavia, no original hebraico está posto: “ki le ‘olam hasedo”, ou seja, “porque eu tenho um pacto de amor eterno com você”. Essa dicção é concludente “post factum”. Quer dizer, após cada provação que arrostamos, vemos o amor de Deus por nós! É Ele quem nos livra dos nossos sofrimentos.
Cada um de nós já experimentou desse “thauma” (Gr.), ou seja, desse poder milagroso que nos causa fascínio e espanto. Todas as vezes que Jesus Cristo realizava um milagre a multidão dizia “thaumatzein” (coisa espantosa). Como se l
³⁵ E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para o outro lado.
³⁶ E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos.
³⁷ E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. E disse-lhes: Por que estais tão temerosos? Como não tendes fé? E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem? (Marcos 4:35-41). Isso é o thauma!
O mais importante nisso tudo, é atentar para o fato de que Ele nos amou sendo nós ainda pecadores!
II – A íntima compaixão do Senhor Jesus Cristo
“E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão. E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores”. (Lucas 7:11-13). Gize-se que a dicção vem de “ ”(esplagcnisthe ep), ou seja, “eso” (dentro) somado a “splagcnisthe” compaixão da entranha, terna misericórdia, entranhável misericórdia, quer dizer, o movimento de todos os órgãos vitais em prol do milagre. Coração, pulmões, fígado, todos os órgãos integralmente envolvidos para que o milagre acontecesse. Acresce a isso, que a dicção ainda traz a reboque a preposição “ep”, que significa “sobre”. Então, entenda a beleza disso: O milagre sai das entranhas do Senhor Jesus Cristo e chove e cai sobre a mulher. Assim, em minha cabeça veio uma metáfora da cachoeira, quer dizer, bem comparando, o texto se assemelha a uma cachoeira debaixo da qual alguém se posiciona e recebe sobre a sua cabeça aquela água fresca, geladinha, a qual podemos chamar de estado de refrigério.
Aquela mulher era mãe de um filho único. Pense! Naquela sociedade de então, uma mulher para ter direito à herança, teria que ter um filho primogênito ou único, caso não tivesse a sua herança era considerada vacante, ou seja, estaria sem sucessor direto, e ficaria na dependência de outro parente próximo. O Direito sucessório da época era muito prejudicial às mulheres, no que tange a ideia sexista era muito machista. Diante de tal Direito Consuetudinário, a morte do filho daquela mulher não representava apenas a perda de um filho, o que já dói demais, mas, muito mais do que isso, representava a perda de tudo, inclusive de seu sustento e de sua própria vida.
Conclusão:
O que precisamos guarnecer em nossos corações e mentes é que por mais que a nossa vida esteja sob a pressão de um sufocante calor, o Senhor Jesus Cristo aparecerá como um refrigério, o seu amor e compaixão serão como as águas frias que têm o condão de restaurar o ânimo. Assim como Ele ressuscitou o filho daquela mulher, Ele é poderoso para ressuscitar sonhos, esperança, fé, a vida de qualquer que seja a pessoa.