Bispo Alexandre Rodrigues Metello
Teólogo, Missiólogo,
Pedagogo, Advogado, Professor de Português-Literatura,
Filósofo, Sociólogo, Historiador, Psicanalista e Psicoterapeuta.
A INTIMIDADE COM DEUS
“E o Senhor apareceu de noite a Salomão, e disse-lhe: Ouvi a tua oração, e escolhi para mim este lugar para casa de sacrifício. Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo. E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar. Porque agora escolhi e santifiquei esta casa, para que o meu nome esteja nela perpetuamente; e nela estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias”. (II Crônicas 7:12-16).
Introdução:
“A intimidade é algo muito importante, de tal sorte que entre as pessoas existem freios sociais e legais que impedem o desrespeito à intimidade. Aliás, no texto Constitucional de nosso país a intimidade é protegida no artigo 5º, incisos V, X. É bom que se veja que a intimidade não começa com a sociedade, ela começa antes, no jardim do éden, quando Deus tinha uma relação interfacial com Adão. Mas, tudo isso foi perdido quando o pecado entrou em cena. O homem caiu, e por via de consequência a interfacialidade cedeu passo para a transcendência. Sabe-se que a transcendência foi resolvida pela mediação do Senhor Jesus Cristo. Como está escrito: “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação. Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha aspergida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne. Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados.” (Hebreus 9:11-15).
Faceia-se que o Senhor Jesus Cristo resgatou a comunhão perdida.
I – A Comunhão foi resgatada pelo Senhor Jesus Cristo
Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus. Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne (Hebreus 10:19,20). A fim de esclarecer, é preciso considerar que a comunhão pode ser revivida, uma vez que o Senhor Jesus Cristo consagrou o Novo Testamento, ou seja, o Novo caminho, o novo pacto, a nova aliança. A despeito de a Antiga Aliança ter empreendido esforços para resolver o problema do divórcio de Deus, foi o sacrifício de Jesus Cristo que trouxe a paz, entre Deus e o humano. Tamanha foi a tentativa de resolver o problema do divórcio de Deus que, milhares e milhares de animais foram mortos para expurgar do ser humano o pecado e reconciliá-lo com Deus. Viceja dizer, o pecado é o que, separa-nos de Deus, é o que está posto em Isaías 59, versos 1-2, leia-se: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”. (Isaías 59:1,2). O pecado nos separava de Deus, agora não separa mais, conquanto que o busquemos.
II – Depois que a comunhão foi resgatada nos cabe buscar a Deus
“E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13). Uma coisa eu sei, quando o crente busca a Deus ele se percebe o quão pecador é, e o quanto ele precisa de Deus. O cristão que busca a Deus tem a mente sadia, tem a mente resolvida, clara, lúcida. Se bem que muitos dizem que buscam a Deus, mas não buscam, aqueles que verdadeiramente buscam vão se percebendo genuinamente pecadores. Alguém disse, e eu me filio a esse pensamento de que, Deus é luz, e quanto mais nos aproximamos d’Ele mais enxergamos os nossos erros e pecados. Quebra-se a arrogância, a falta de educação, de bom-senso, desfaz-se os pré-julgamentos, as precipitações, resolve-se o drama humano do divórcio. Por mais que afirmemos que buscamos a Deus e estamos a perder muito tempo com tudo e com todos, sem verdadeiramente nos apresentar numa busca insaciável de Deus, caímos na vala da hipocrisia. Pois que, se não rompemos com o religiosismo, se não rompemos com essa forma metódica de cumprir tabela, de dar o resto para Deus, de oferecer-Lhe a sobra, sim, a sobra do tempo, da atenção, da dedicação, da doação, do serviço, da contribuição. Oferecer o resto não é amor! Na verdade, muitas pessoas dão de ombros para a comunhão com Deus. O apóstolo Paulo escreve: “Porque todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus”. (Filipenses 2:21). Por mais que eu queira imprimir em cada pessoa o desejo de buscar a Deus, vê-se que muitos esquecem de Deus, depois que recebem o milagre, a benção. O apóstolo Lucas narra, no capítulo 17 de seu Evangelho, que Jesus Cristo curou dez (10) leprosos, e apenas um voltou para agradecer, apenas um passou a seguir a Cristo. Isto posto, é de se destacar que podemos aprender muito com o que a Palavra de Deus nos ensina no texto bíblico epigrafado, passemos a considera-lo:
III – Depois que a comunhão com Deus foi regatada precisamos lutar pela intimidade com Ele
À proporção que estudamos a Palavra de Deus, mormente nos versos que estão postos na cabeça do nosso texto, compreendemos o que precisamos fazer para que experimentemos uma verdadeira intimidade com Deus. Com efeito, cumpre observar que Deus nos propõe a casuística, ou seja, “se” o meu povo que se chama pelo meu Nome”. O “se” é condicional, mas também é opcional, posto que, buscar a Deus é uma decisão que devemos tomar. Consideremos:
III.1 – Precisamos aprender a nos humilhar
A ideia de humilhação, está jungida a uma entrega total. A palavra humilhação vem do latim, humus, ou seja, matéria orgânica em decomposição. Então, precisamos, começar nos desfazendo diante de Deus.
III.2 – Precisamos ter o hábito de oração
“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens” (1 Timóteo 2:1). O apóstolo Paulo, primorosamente, apresenta quatro modalidades de oração, as quais não irei analisar com profundidade nesta lição, mas devo afirmar que devo clamar (suplicar) diante de uma grande angústia, orar cotidianamente, costumeiramente; devo também interceder pelo outro, por um irmão (para isso existe o importante Ministério de intercessão) e apresentar ação de graças (agradecimentos pelas conquistas), essa modalidade, infelizmente, saiu do costume de muitas igrejas, penso que deve ser retomado o hábito.
III.3 – Precisamos ter o hábito de buscar a Deus
Recordo-me que certa feita li o livro: “Caçadores de Deus” de “Tommy Tenney”, que trata da busca de Deus e o que acontece quando buscamos o Senhor. Gize-se que no texto abaixo exposto, quando o povo buscou a Deus a “Kavod de Iavé” encheu a Casa de Deus” (II Crônicas 5:13,14). A manifestação da Kavod resulta da busca de Deus. Vejamos: Translitero: “Ki tov ki le olam hasedoh” (Porque Ele é bom, e seu pacto de amor dura para sempre). Até aqui, vê-se a causa. Depois diz: ...”ve há beit male ianan beit Yhavé”. A partir daqui, vê-se a consequência: “e a Casa se encheu de uma nuvem, a Casa de Yhavé”. Agora bem, o texto diz que a presença de Deus foi tão forte, tão impressionante, tão maravilhosa que, os sacerdotes não conseguiam manter-se de pé, dada a presença de Deus na “Beit há Elohim”. Assim, percebe-se que o redator ora chama a Casa de Deus de Casa de Yhavé, ora, a chama de Casa de Elohim. Pois, a presença é de Deus em sua singularidade, e de Deus em seu Plural majestático.
III.4 – Devemos nos converter dos nossos maus caminhos
A menos que busquemos a Deus com arrependimento profundo dos nossos pecados, com uma conversão verdadeira, viveremos o perdão de nossos pecados, a oitiva de nossos pedidos e a cura de nossa terra. De outro modo, todos nós estaremos fadados ao fracasso.
Conclusão:
A intimidade com Deus tem que ser reinserida, é preciso entender o que lecionou Agostinho, isto é, que quem não se converte totalmente, acaba se avertendo. Na linguagem de Tommy Tenney, você precisa se tornar um caçador da Glória de Deus, pois ela produz cura, prosperidade e vitória!