Bispo Alexandre Rodrigues Metello
Teólogo, Missiólogo,
Pedagogo, Advogado, Professor de Português-Literatura,
Filósofo, Sociólogo, Historiador, Psicanalista e Psicoterapeuta.

 

O QUE GANHA ALMAS É SÁBIO

“O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio”. (Provérbios 11:30).

 

Introdução:

A par do tema, é de grande importância considerar que a reflexão proposta nessa lição guarda muita apreensão, haja vista que fazer discípulos não é uma opção, mas uma obrigação de cada cristão. Além disso, o ganhar almas é um sinal do salvo. Melhor perfume do que escrevo, tem o que está escrito no Evangelho de Mateus, leia-se: “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo”. (Mateus 3:9,10). Veja que o texto posto acima, João Batista está combatendo a doutrina da dupla predestinação dos judeus que acreditavam serem possuidores da salvação, em virtude de serem filhos de Abraão, aquele combatível etnocentrismo do qual temos falado. Quer dizer, a salvação não depende de ser filho ou não de Abraão ou de pertencer aquela ou aqueloutra denominação, mas, sim de ser lavado e remido pelo sangue do Cordeiro, Senhor e Salvador Jesus Cristo. Frente ao exposto, cumpre observar que, no mais das vezes, o crente se pensa como salvo, mas não é salvo. Isso quem afirma é o próprio Deus por intermédio dos profetas e dos apóstolos. No texto, acima destacado, João Batista está explicitando que a árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Assim sendo, na metáfora da árvore, cada crente é considerado uma árvore, e há árvore que produz bom fruto, e árvore que produz mau fruto.

 

O texto em epígrafe diz:

1. O justo produz fruto: Sob o lume do texto em epígrafe, com certeza todas as pessoas produzem frutos, porém o fruto do justo é diferenciado, ou seja, é uma árvore de vida.

 

2. O fruto do justo é árvore de vida: Sublinha-se que o texto diz que o fruto do justo é uma árvore. Estranho, não?! Como que o fruto já pode ser uma árvore? Filosoficamente, eu diria que o fruto do justo potencialmente já é uma árvore. Quer dizer, a potência de uma árvore está na semente. A árvore é ato de algo que inicialmente é uma semente. Mas, o justo, cuja semente é uma árvore, consequentemente seus frutos são grandes plantações, imensos jardins, pomares. Nesse diapasão, cabe refletir sobre aqueles crentes que ferem o coração de Deus por assumirem uma posição de total desinteresse para produzir frutos. Já vi cristãos passarem anos e anos de suas vidas cristãs sem darem frutos. E outros, pior do que isso, contrariam o que Salomão põe em tela, e ao produzirem s seus frutos, agem em dissonância com a vontade de Deus. Vamos dar uma olhadela no que Jesus Cristo ensinou, leia-se:

“Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más”. (Mateus 12:33). O texto salta aos olhos, quando ensina que o consequente (fruto) decorre do antecedente, ou seja, árvore. Então, se o antecedente é bom, quer dizer, se a árvore é boa, o consequente segue a sorte do antecedente, isto é, tem a mesma qualificação do antecedente. Nesse caso, existe uma lógica naturalística, qual seja, que a árvore boa só produz fruto bom. E, não obstante, a árvore má só produz fruto mau. Isso me faz lembrar do brocardo jurídico, verbis: “fruits of the poisonous tree”, isto é, os frutos da árvore envenenada. É certo que, essa elocução própria do Direito Processual Penal, no que tange as provas contaminadas, serve, minimamente de reflexão sobre a verdade de que a contaminação de um fruto está na essência de uma árvore. Foi o que o Senhor Jesus Cristo ensinou, com melhor perfume do que o que escrevo. Se uma pessoa tem veneno nela, tudo que ela produz, traz contenda, dissensão, insatisfação, descontentamento, mas se, uma pessoa, ao contrário, tem o Espírito Santo ela gera vida em outras pessoas. Meu pai dizia: “Cada um dá o que tem”. Esperar educação de quem não tem é um grande desperdício; esperar amor de quem é amargo, é perda de tempo. Na minha vida ministerial já verifiquei isso na prática, um crente fervoroso e atuante gera outro crente fervoroso e atuante (fruto bom). Um crente frio e apático gera outro crente frio e apático (fruto mau). Veja, o fruto sempre segue a sorte da árvore.

 

3. O que ganha almas é sábio: Salomão, tomado pelo Espírito Santo disse, na epígrafe apresentada, que quem ganha almas é sábio. Mas, por quê?

 

3.1 – Porque apresenta fruto de salvação: O texto trazido pelo apóstolo Mateus que é uma logia (ensino) do Senhor Jesus Cristo, aponta que o homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração. Daí, eu me lembrei de Blaise Pascal (1623-1662), considerado um dos maiores teólogos e filósofos da história, o qual fez um caminho inverso do filósofo Descartes, pois esse escreve sobre a importância da razão para compreender a existência de Deus, porém, Pascal afirma que o coração é fonte de um dinamismo profundo, de tal maneira que, diferentemente de Descartes, ele valoriza a fé. Não que ele rejeite ou descarte a razão, mas alega que a mensagem cristã tem resposta para tudo. Assim, se uma pessoa verdadeiramente crê em Cristo, na salvação em Jesus Cristo, se sentirá envolto na missão de ganhar almas.

 

Conclusão:

In fine, é de bom cheiro considerar o que disse o apóstolo Paulo, leia-se: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram” (II Co 5:14). Com efeito, o apóstolo Paulo ensina que uma pessoa que tem o Espírito Santo não consegue deixar de lado a missão de ganhar almas, e está disposto a morrer por essa missão. A igreja primitiva toda tinha esse constrangimento, ou seja, “se Ele (Cristo) morreu por mim, se for necessário também morrerei por Ele”, por isso, Paulo também escreveu: “Já estou crucificado com Cristo e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim, e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20).

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