TEMA: O PROBLEMA DA FOFOCA NA IGREJA.

INTRODUÇÃO:

O fato é que quando recebemos a Jesus Cristo como salvador, precisamos romper com os hábitos do mundo, e talvez um dos piores hábitos é o da fofoca. A fofoca muitas vezes carreia até mesmo cometimento de crimes, tais como, os chamados crimes contra a honra, consoante o que releva o Código Penal. Os crimes contra a honra são: calúnia, difamação e injúria. A calúnia (atribuir o cometimento de crime a alguém que não o cometera). Ao lado, tenha-se por registrável, a difamação que consiste em atribuir má fama a alguém, como por exemplo, difundir que uma pessoa é prostituta ou prostituto sem ser. E, por fim, a injúria, que consiste em agressões orais, xingamentos.

Contudo, vale dizer que a fofoca apresenta um leque de opções, o cardápio do mal apetite e mal gosto é grande, tem refeição para todo tipo de gosto e apetite pelo podre. Com efeito, importa salientar que o fofoqueiro tem aptidão a bulimia afetiva, ou seja, a de viver a co-presença dos contrários. O inteligente não come de tudo, mas, o que é necessário para a saúde. Viver na maledicência é viver no “mal dizer”, e falar mal de outrem implica em viver no mal estar, e isso é para quem gosta de sofrer.

I – A MALÍCIA É A MÃE DA FOFOCA

Todo fofoqueiro é sútil, difunde a má fama de modo bem velado, sorrateiro, à sorrelfa. O apóstolo Paulo escreveu, verbis:

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção; toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia   e toda a malícia sejam tiradas dentre vós” (Efésios 4: 30, 31).

Logo depois, ele registra, que na igreja não há de haver torpeza, tolice, zombaria, são inconvenientes (Efésios 5:4).

Sabe-se que alguns maus hábitos do mundo ficam entranhados no coro, na carne da pessoa que ainda não experimentou a ação de graças, ou seja, não sabe o que é ser grato a Deus por ter sido salvo, e grato aqueles que lhe apresentaram a salvação. Penso que a gratidão resolveria o problema de muitas pessoas com relação a fofoca. 

II – O PROPÓSITO NA VIDA DO CRENTE AJUDA A COMBATER A FOFOCA

Apura-se do texto paulino orientações valiosas, pois ele escreve também na epístola aos efésios, verbis:

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe (isso inclui palavrões, fofocas, mentiras), mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que ouvem” (Efésios 4:29). 

Faceia-se que o crente quando tem o propósito de servir a Deus é ineludível que quando ele abre a boca é só para engrandecer O Reino, de modo que ele não perde tempo com o disse me disse. E conheci um pastor, hoje já bem idoso, que ensinava, que ao fofoqueiro você deve dizer-lhe: “irmão, vai buscar poder de Deus em sua vida, pois está lhe faltando”.  Achava ótimo. Sério mesmo...o cristão comprometido com Deus não tem tempo para fofocas, pois o seu tempo é ocupado em ganhar almas. O mexeriqueiro traz em si a sua própria pena, o de andar sozinho.

II.1 – AS MÁS CONVERSAÇÕES CORROMPEM OS MAUS COSTUMES

Em alhures, a dogmática apostólica ressoa, a saber:

“Não vos enganeis: As más conversações corrompem os bons costumes” (I Co 15:33).

Quando se está diante de pessoas cheias do Espírito Santo, elas sempre têm algo novo a nos transmitir, por exemplo, querem comentar sobre alguma coisa que aprenderam da Palavra, um novo hino, ou louvor, ou poema que aprenderam, sabe? São férteis, fecundos espiritualmente. Paulo Freire o educador, disse em seu livro, a Pedagogia do oprimido que algumas pessoas são necrofílicas, ou seja, amam a morte e destroem tudo que tem vida. Vejo que isso acontece em algumas igrejas, em que algumas pessoas eram bençãos, produtivas, alegres, harmoniosas, felizes, cheias de ideias, projetos, mas as fofocas as transtornaram.

A fofoca está fora da nossa consuetudinária cristã, ou seja, fere os bons costumes e as boas tradições. A CONSUETUDINÁRIA CRISTÃ, é um plexo de tradições, costumes, hábitos, posturas da igreja cristã. Assim sendo, existem coisas que não fazem parte de nossos costumes, por exemplo, a picardia, a falsidade, a pilantragem, o deboche, a ironia perturbadora, a zombaria etc.

Rememoro, nesse momento que convivi com uma pessoa que tinha uma extrema dificuldade de elogiar um feito, um trabalho, um projeto desenvolvido por outrem, e quando com todos os esforços elogiava alguém, logo após, zombava, é isso que chamamos de obras infrutuosas das trevas, pois, na linguagem paulofreiriana mata tudo aquilo que tem vida, necrofilia absurda.

Acabo de pregar numa conferência na maior Comunidade da América Latina, ou seja, na Rocinha, lá estavam muitos talentos de outras igrejas, mas quando os meus filhos na fé se apresentaram, fizeram uma diferença incrível ao evento, e saí de lá todo feliz, pois isso me dá um grande orgulho. A nossa tribo, ao redor da cruz, deve ser diferente, na sua apresentação, outros precisam perceber a nossa identidade cristã. A identidade apresenta o jeito, o gosto, o modo, a forma, e a essência de cada um, entende?!

III – NÃO PARTICIPAR DE FOFOCA É UMA QUESTÃO MANDAMENTAL DO AMOR

Grifa-se, o que está lecionado em outro lugar, isto é, na epístola aos romanos, capítulo 13, verso 8 e seguintes:

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.
Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor”.

Como se pode obtemperar, a fofoca é algo que quebra o mandamento do amor, e mais, altera o comportamento apropriado da igreja. Diversos filósofos discutiram sobre o apropriado e o inapropriado, como por exemplo, Fédon, Platão, Maquiavel, Aristóteles até mesmo o nosso Salvador, ao passo que, podemos refletir sobre o que é apropriado e inapropriado na vida da igreja. Penso que tudo aquilo que não é amor deve ser retirado do nosso diapasão cristão.

E creio que o amor é bem simples assim: não envergonhe se não queres ser envergonhado, não fale da vida alheia se não queres que a tua vida seja exposta, não exponhas o irmão, para que as tuas vísceras, teus segredos também não sejam comentados, expostos e julgados.

Com efeito, devo trazer à baila o que está desenhado em alto relevo em I Tessalonicenses 5, verso 5º, verbis:

“Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas”.

Indubitavelmente, são os filhos das trevas que têm inveja, ciúme, malícia, maledicência, disputa, os filhos da luz não perdem tempo com tais coisas.

Eu gosto do amor, e o amor gosta de mim. Deus é amor. O gosto define muita coisa, pois que a Psicanálise leciona que tem gente que tem “prazer no desprazer”, então, gostar da fofoca, é gostar da desarmonia, do grito, de ser chamado à atenção, de ser rejeitado, é gostar que ninguém esteja perto, pois todo aquele que fala do outro fala de todos. Então, é assim que o eu cai em si com relação ao outro. E se fala da parte (membro), fala do todo (igreja), pois o membro não pode ser separado do corpo, pois se assim o é, o corpo fica dilacerado.

Olha o que escreveu o apóstolo Paulo, verbi gratia:

“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu.Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós” (II Tessalonicenses 3:6, 7).

Nota-se que a imitatio que era, sem dúvida alguma, a principal doutrina da consuetudinária cristã, aponta para o norte, qual seja, agarrar-se com a boa tradição, sempre calcada no amor entre nós.

 

Conclusão:

Em derradeiras palavras, devemos guarnecer o que diz a Palavra de Deus em Colossenses 3, verso 8º, leia-se:

“Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.

Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”.

Não podemos dar lugar ao velho homem, quer dizer, conforme o original grego, ao paliós anthrópos (velho homem), mas devemos manifestar o neós anhtrópos (novo homem). Nascemos de novo e nascemos do Novo, de tal sorte que devemos abandonar as coisas, os hábitos do velho homem, ou da antiga natureza, acho melhor dizer, antiga natureza. “Hei! Não esqueça: “Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram e tudo se fez novo” (II Co5:17). Abandona totalmente as velharias.



 

 

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