TEMA: A ARMADURA DE DEUS

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça. E calçados os pés na preparação do evangelho da paz. Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Efésios 6:10-18).

INTRODUÇÃO:

O texto que trata da armadura de Deus é tecido com os verbos imperativos, de sorte que não podemos dizer que o mesmo é uma parenética (ou orientação), porém, um conjunto de mandos balizadores da vida cristã.  Em destaque temos: Fortalecei-vos, revesti-vos, tomai, estai, e reitera-se, tomai! Isso posto, vamos nos debruçar juntos sobre o texto proposto. Palvras chaves saltam aos olhos: verdade, justiça, paz, fé, salvação, Espírito, Palavra de Deus.

  1. Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder

Esse sem dúvida alguma é um tema muito intrigante, de sorte que iremos considerá-lo com a atenção que ele merece. Mas muitas pessoas estão desatentas a esse tema. Por esse motivo e outros conhecidos e alguns desconhecidos é que muitos estão sendo feridos, alvejados e mortos no campo de batalha.  É de se destacar que o texto sagrado expõe: “endynamousthe en Kurio” (Gr.), transliteração grega que significa: “entrai no “dynamis” do Senhor (poder explosivo do Espírito Santo) e no “krátei” (domínio) de seu “isckýos” (poder, força). A ideia é de um conjunto de notabilidades ou atributos de Deus. O atributo da virtude (poder), somado ao atributo do domínio territorial, da soberania de um Reino, ou seja, do Reino de Deus, e, por fim, o poder no sentido de capacidade de combate. Então, temos dynamis, krátei e isckýos. Poder como virtude, força inerente, poder como domínio territorial e soberania, e poder como força “bélica”, força para o combate, obviamente no sentido espiritual.  

  1. Revesti-vos de toda a armadura de Deus
    1. A armadura de Deus

Há que se considerar que muitos crentes nem sabem que existe guerra espiritual, e, tampouco, consideram a importância de se munir da armadura de Deus. Uma coisa é consequência da outra. Ao lado disso, também existe aquele crente que sabe que existe uma guerra espiritual, todavia dá de ombros e espera que outro assuma a sua batalha. Paulo foi enfático, disse que a igreja deve se revestir da “Panoplían de Deus” (Gr.). O termo “panoplían”, aduz a ideia de várias peças que reunidas formam um todo. Vem de “pan” (inteiro, todo) e “oplon” (instrumentos, armas). Então, a “panoplían” é o conjunto de armas, ou armadura. Assim, infere-se que não dá para ir para a batalha só com o capacete, ou só com o escudo, ou só com a espada, ou só com as sandálias, ou só com a couraça, dada a vulnerabilidade na qual se inseriria o guerreiro.

    1. Os heróis e os hoplitas

Bom de ver que a história nos fala de dois tipos de soldados antigos que possuíam grande destaque no passado, e nós devemos nos inspirar neles. Digo isso, porque o texto está tratando a igreja como um exército, logicamente, composto de soldados que precisam se munir de armas espirituais. Agora bem, no passado da Grécia antiga havia de um lado, os heróis que sabiam lutar sozinhos e se destacavam nesse combate individual, ao passo que alguns de seus feitos se tornaram lendários e outros feitos marcaram a história, de tal sorte que o ficcional invade o terreno do real, em virtude de suas grandes realizações. Já, os hoplitas eram ótimos estrategistas e exímios guerreiros que sabiam resistir no coletivo, sabiam trabalhar em grupo. Os hoplitas eram uma legião de soldados que unidos formavam um combate em linha fechada, eles se protegiam mutuamente. Os hoplitas favorece-nos no entendimento da unidade do corpo de Cristo. Eles defendiam a polis. E os soldados cristãos de hoje defendem a sua igreja? Ou se dividem por qualquer bobagem?

Como num time de futebol, o grupo precisa do jogador criativo que cria jogadas e que resolve o jogo (herói), mas tem que ter aqueles que tocam bem a bola e sabem dar cobertura na defesa (hoplita).

 

3.As peças da armadura de Deus

O texto em comento diz que o apóstolo Paulo tinha uma imagem na cabeça, como portador de uma larga experiência nas falanges romanas, pelo que pensou na armadura do soldado romano e foi estabelecendo analogias. O que passamos a considerar:

3.1 - Cingir os lombos

            Significa proteger e cobrir as costelas e toda a parte lombar. Acredito que aduz a ideia de proteger o coração e a vida sexual. Já ouvi pregações não muito viris, afirmando que a ideia de cingir os lombos seria uma ideia de não deixar as calças caírem, nada a ver. Cingir os lombos é proteger as partes vitais, quais sejam, o coração (sede de sentimentos) e o fígado (sede das sensações, onde são filtradas as substâncias ingeridas), os rins. Por isso, que o crente tem que cingir os lombos com a verdade, pois, é a verdade de Deus que nos livra das mentiras do mundo.

3.2 – Vestir a couraça da justiça

A palavra couraça vem de couro, pois que antigamente as armaduras eram feitas de couro, mas depois, passaram a ser de metal, deveria, então, ter ganhado outro nome, “metalça”, risível, o que acabo de escrever. Brincadeiras à parte, a couraça protegia o peito. Alude, portanto, que a justiça deve ser o clamor do nosso peito, pois, é a justiça que nos faz lutar. De outro prisma, a justiça também os protege.

3.3 – Calçar os pés na preparação do evangelho da paz

Crente sem o conhecimento do Evangelho, está descalço, ele precisa conhecer a razão de sua fé, a menos que queira ser ferido em sua caminhada, do contrário, irá buscar conhecer o plano da salvação, que é “a filosofia” do exército, a razão do combate, a missão.  

3.4 – Tomar o escudo da fé

            Certa feita, a minha curiosidade me levou a uma feira medieval, onde tive o contato com o broquel. A Bíblia exprime, verbis:

            “Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel”. (Salmos 91:4).

 A título de curiosidade, o broquel é um escudo de tamanho menor, que servia não só para defender como também para atacar. Era, portanto, uma arma de ataque e de defesa. Penso que, o escudo que Deus nos dá como aparato serve tanto para ataque, bem como para a defesa. É claro que no texto paulino, o escudo tem como principal utilidade a de apagar os dados inflamados do maligno, então, a figura é daquele escudo de metal com revestimento de couro, que era enxarcado para apagar os dardos (flechas) inflamados.

            Os dardos inflamados são lançados para atingir qualquer órgão vital. Um soldado em chamas paralisava e feria outros. Tem-se por oportuno lembrar que, um dardo inflamado pode ser comparado a uma intriga que é lançada contra a igreja, a qual pode lesionar vários crentes.

3.5 – Tomar o capacete da salvação

 Disse que o cristão tinha que ter sobre a sua cabeça o capacete da salvação. Sublinha-se, ele sabia que o diabo ataca a mente do cristão tentando fragilizar a sua certeza da salvação. O inimigo das nossas almas ataca a mente do crente com ideias de perdição e maldição, e o capacete da salvação é invulnerável aos ataques do tentador.

3.6 – Tomar a espada do Espírito

            A par de todo o exposto, vamos a última peça, a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Basta olhar, acotovelar o texto do Evangelho de Mateus, no capítulo 4º, que vê-se que o diabo foi derrotado pelos ataques irresistíveis da Palavra de Deus. O diabo não resiste a Palavra de Deus, um crente que conheça a Palavra de Deus é imbatível, irresistível, como está escrito:

            “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. (Hebreus 4:12).  

Conclusão:

            Em últimas pinceladas, registra-se que Deus quer contar com você, como herói ou hoplita, um ou outro, outro ou um, não importa, o que de fato importa é que você esteja revestido de toda a armadura de Deus, assim, cinge-se, vista-se, calça-se, e aproprie-se de toda a armadura de Deus e vá à luta, pois Deus é contigo, Deus é comigo, Deus é conosco! Entenda que a oração é a inspiração e a expiração do crente! É o que faz o soldado andar, correr, saltar, e vencer barreiras aparentemente intransponíveis. Algumas batalhas são vencidas sem movimento externo, só com o movimento interno da oração. Creia!

“O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Salmos 46:7). Iavé Sabaoth! Diga! Iavé Sabaoth (o Senhor dos Exércitos), Ele está conosco!

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