Do Bispo e Doutor Alexandre R. Metello
TEMA: Aquele que leva a preciosa semente...
Antigamente tínhamos uma boa tradição. Recordo-me que durante muito tempo na minha vida eu vi as avós preocupadas com a salvação de seus netos. Dessa maneira, as vovozinhas apinhavam as igrejas de crianças, davam Bíblias de presente, ensinavam as histórias bíblicas para os netos, apresentavam os heróis da fé, davam de presentes os antigos discos de vinil de música cristã, e, tudo isso dava muito certo, porque aquelas crianças aprendiam a amar a Deus e, posteriormente se tornavam os pastores, missionários, adoradores das igrejas. Levavam a sério o texto que diz:
“aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos” (Salmo 126:6).
I – A PERDA DOS SENTIMENTOS
Qual seria o motivo de muitos terem se tornado tão insensíveis com relação a salvação de seus familiares, parentes, amigos, colegas e estranhos? Seria o ativismo? Ou seria a perda de significado? Se houve perda de significado precisamos ressignificar a importância de se ganhar almas para Cristo. Ganhar almas é importante para o que ganha, haja vista o texto bíblico nos dizer que “a árvore sem fruto não tem salvação” (Mateus 3). É importante também para a minha condição sapiencial, pois que, o que ganha almas é sábio. Numa leitura a contrário senso, o que deixa de ganhar almas é ignorante. É importante para o Reino, ao passo que o evangelizador saqueia o inferno e povoa o céu. E sobretudo, é importante para aquele que é salvo por Jesus Cristo, de sorte que, o apóstolo Tiago disse:
“Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho o pecador, salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados” (Tiago 5:20).
Devo pensar no que pregou Billy Graham, ou seja: “A sua alma é uma parte de você, que definirá o seu eterno lar, e pode ser no céu ou no inferno. Estamos diante de dois caminhos: um estreito que leva ao céu, e um largo que lava ao inferno.
Como se pode ler em Mateus 7, versos 13,14, leia-se:
“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”. (Mateus 7:13,14).
Face ao exposto, requer lembrar que a sensação que me dá hoje é a de que quem tem um irmão palmilhando caminhos tortuosos, não chora pela sua alma, quem tem pai não chora pela alma de seu pai, quem tem sobrinho ou sobrinha no mundo, imerso (a) no pecado, não chora pela sua alma. Parece que o sentiente parou de sentir. O texto encimado trata de sentimentos. Trata de alguém chorando pelos cativos de Israel, chorando com lágrimas proféticas que regam o amanhã da salvação.
A par disso, hoje eu quero colocar um pouco para fora o meu sentimento sobre almas. O Senhor Jesus disse que uma alma vale mais do que o mundo inteiro. “O que dará o homem em resgate de sua alma?” (MC 8:37).
II – A PERDA DE PERCEPÇÃO
A percepção é a relação entre o percipiente e o percebido. A percepção ocorre quando num encontro com o objeto cognoscível, ou seja, o ser cognoscente (o que tem a faculdade de conhecer) se depara com o objeto cognoscível (o objeto a ser conhecido), assim, o objeto posto se deixa conhecer, e o sujeito dever almejar conhecê-lo. Nessa quadra de ideias, ressalta-se que o objeto deve ser olhado, tocado, cheirado, ouvido e degustado. Se é de comer, coma-o, se é de ouvir, ouça-o, se é de ver, veja-o, se é de tocar, toca-o, se é de cheirar, cheira-o. Sem isso, não conhecerei na música a diferença entre a harmonia e o desarranjo ou, a diferença entre a afinação e o desafino. De igual modo, para conhecer a diferença entre o doce e o amargo, preciso estar saudável, com o meu paladar em bom funcionamento para provar e distinguir uma coisa da outra, ou seja, o doce do amargo. Porque o doente pode não sentir o sabor da comida, ou tê-lo alterado por sua doença, pois para o doente até mesmo a saborosa iguaria se torna indigesta. A par disso, pode-se dizer que uma igreja saudável percebe a importância de ganhar almas. Porém uma igreja desafinada com a vontade de Deus, não percebe a necessidade de se fazer tocar as trombetas nos céus por um pecador que se arrepende. O fato é que fazer música no céu é diferente de fazer música na terra. A igreja deve fazer coro no grito da salvação.
Leia-se o que Jesus Cristo disse: “digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas 15: 7).
III – A PERDA DE MOVIMENTO
Vamos revisitar o texto que iniciou esse bate-papo. O texto diz: “aquele que leva a preciosa semente andando e chorando”. A ideia é de movimento. Me recordo que o filósofo Heráclito defende a ideia que toda a criação decorre do movimento e se sustenta com o movimento, enquanto Parmênides dizia o contrário, que a criação se aperfeiçoa no repouso, o chamado imobilismo universal. Bom, hoje, sabe-se que Heráclito estava certo, a ciência já provou que estamos na Terra ínsita num sistema solar, e, se não estivesse se movendo ao redor do sol, e ao redor do seu próprio eixo, nada aqui teria vida. Assim sendo, o movimento é vida. Uma igreja parada morre, adoece, fossiliza, emurchece. A igreja deve andar. A igreja deve lançar a preciosa semente. A igreja deve chorar, sofrer pelas almas. A igreja chora pela semente e se alegra com os frutos.
O agente se move sobre o paciente. O movimento é coisa de quem age. E o agente sempre age em prol de alguma coisa, até porque se não agisse em prol de alguma coisa a sua ação seria inócua, ou tresloucada. Agora para se agir é indispensável entender a missão. A missão da igreja é levar a mensagem do Evangelho. A missão da igreja é cavar as valetas, adubar a terra, afofá-la, para isso tem que pôr as mãos...tem que pôr as mãos na terra como um aldeão, tem que regar a semente com lágrimas, só assim brota, só assim floresce, só assim frutifica. Hei! O agricultor tem ansiedade sobre o seu plantio, guarda expectativas, olha para o céu e pede chuva e olha para terra e pede germino. E quando germina e aponta o broto é muita alegria! Daí o agricultor vai vigiando sobre o broto, ajusta-o, rega-o, se cerca de todos os cuidados com o neófito (planta nova).
O neófito (“neo” de acordo com a língua Grega significa novo e, “fitos” significa na mesma língua “planta”) por sua imaturidade pode ser presa fácil do diabo. Recordo-me do texto de Paulo a Timóteo, no qual orienta que um líder não poderia ser neófito, uma vez que ele poderia se ensoberbecer e incorrer na condenação do diabo (ITM 3:6). De outro prisma a parábola do semeador também chamada de parábola dos solos nos ensina bem sobre o trabalho que dão os solos, inclusive expõe os tipos de solos (corações). A parábola dos solos apresenta um solo (coração) cheio de entulhos, outro cheio de espinhos, outro raso inóspito à raiz, e outro pronto. Cabe ao evangelizador preparar os corações, lhe incumbe a tarefa de ser um hábil aldeão ou homem do campo para arar a terra. E, é bom lembrar que o que põe a mão no arado não pode pensar em desistir, não pode olhar para trás (Lucas 9:62). Inúmeras explicações sobre esse texto apontam que ao olhar para trás o agricultor se desvia da tarefa e erra a direção. Temos que andar sob a direção do Espírito Santo. E como fez com Filipe em seu mister, o Espírito Santo o encaminhou a alma do Eunuco de Candace, conforme se lê em Atos 8, de tal sorte que pôde batizar o Eunuco.
Finalmente, o texto sagrado diz que o agricultor não entrega os feixes para outros cuidarem, isso seria deveras contraditório, o agricultor traz consigo os seus molhos. O agricultor vai multiplicar sua próxima colheita fazendo com que os neófitos cresçam, logo após se multipliquem, e depois estejam prontos para entrarem no mesmo processo de multiplicação no Reino de Deus.
CONCLUSÃO:
Devo sentir, perceber, agir e encher as minhas mãos de almas enfeixadas e as entregar no Reino de Deus. Lembre-se que quem tem o Espírito Santo, possui a matemática do Reino de Deus. A matemática do Reino de Deus consiste em somar e multiplicar. Já o império das trevas anseia subtrair (João 10:10) e dividir!