Do Bispo e Doutor Alexandre R. Metello

A DOUTRINA DOS BATISMOS

INTRODUÇÃO:

1ª A primeira coisa que precisamos refletir é que o batismo é uma ordenança de Cristo (MC 16:15,16, MT 28:18-20). Assim, importa indagar: O que é uma ordenança? É algo que alguém determina. Então, como Cristo Jesus é o Senhor da igreja, deixou-nos a ordenança do Batismo e da Ceia (Eucaristia). 

2ª A segunda coisa que precisamos aprender é que existem dois diferentes batismos, a saber:

2.1 – O Batismo de arrependimento (MT 3:8-11);

2.2 – O Batismo com o Espírito Santo (MT 3:11).

O primeiro batismo é para o arrependimento, portanto, visante à salvação,  e o segundo batismo é para o revestimento, visante à realização da obra de Deus.

3º Em seguida, devemos aprender que o batismo doutrinariamente só é possível quando manifestamos três disposições, verbis:

3.1 – Arrependimento (MT 3:11):

A palavra arrependimento no original grego koinê vem da palavra metanoia (metanóia: Significa “mudança de mente”). Já no latim, vem da dicção: a(negação), re (repetição) e pender (cair ou inclinar-se). Então o arrependido é aquele que não repete a queda. O arrependimento é uma das bases sólidas do batismo, de sorte que para se fugir da ira futura, impõe-se o batismo como resultante de uma experiência de profundo arrependimento (Lucas 3:7-8). Se não houver arrependimento o veneno do pecado permanece dentro do ser humano, por isso, ele fica como uma raça de víbora, a menos que se arrependa de seus pecados.

3.2 – (Romanos 10:9,10 e MC 16:15,16):

A palavra fé também tem um sentido muito próprio no original Grego koinê, vem de pistis (Pistis: fidelidade). Então, diferentemente do que muitos pensam fé não é uma sensação, mas uma aliança com Deus. É um vínculo que estabelecemos com Deus. No texto do evangelista Marcos, vê-se que o batismo não salva, mas é para os salvos, destarte, eu me batizo, porque sou salvo, não me batizo para ser salvo. Em escrevendo, me lembrei do que disse Jean Paul Sartre, verbis: “o que dá sentido à nossa existência é o compromisso”.

3.3 – Confissão (Romanos 10:10, MT 10:32,33):

         Vem também do nosso original Grego Koinê, do vocábulo omologia (homologia, cujo significado é de confirmação). Sempre, recordo-me, que no exercício de meu múnus jurídico, na condição de advogado, quando o juiz leigo dá uma sentença, esta precisa ser homologada pelo Juiz togado, de sorte que homologar significa confirmar a decisão. Não se obsta que a confirmação do cristão é diária na tentativa de imitar a Cristo.

4. O Simbolismo do Batismo

         Algo, deveras importante é albergar em nossa alma, que o batismo representa na imersão a morte do homem carnal, pecaminoso, velho, entourecido pelo pecado (RM 6). E, logo depois, na emersão, resta representado o nascimento de uma nova vida em Cristo Jesus. A imersão, nada mais é, senão o sepultamento (inumação) da vida de pecado. E a emersão, não é uma exumação, pois não é um morto que é retirado do batistério, todavia, uma nova criatura (IICO 5:17), por isso, a emersão representa a ressurreição.

5. Porque batizamos por imersão?

        Nota-se que algumas igrejas batizam por aspersão que consiste em salpicar, aspergir água sobre a cabeça da pessoa, e faz isso, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, porém, é errado, haja vista que simboliza um sepultamento. E outras batizam por efusão, ou seja, derramam água sobre a cabeça da pessoa com o fito de simbolizar o derramamento do Espírito Santo, previsto no livro do profeta Joel, capítulo 2º, contudo, dissentimos, pois que, o batismo do arrependimento não se confunde com o batismo com o Espírito Santo. A imersão, portanto, é a modalidade que guarda o verdadeiro reflexo do símbolo batismal. De acordo com o diálogo dos textos, encontramos na epístola de Pedro, que o batismo não é um banho, uma lavagem de sujeira do corpo, mas um simbolismo que quer significar o nascimento de uma nova vida em Cristo Jesus (I Pedro 3:21). A lavagem não é do corpo, mas dos pecados. A ideia da imersão e emersão é a de morte ou sepultamento (Colossenses 2:12) e a do novo nascimento ou resssurreição(Gálatas 3:27 c/c Jo3:3-5). O novo nascimento, sem dúvida alguma é a principal doutrina da Teologia Neotestamentária. Dogmaticamente a chamamos de Palinginésia ou Teogênese

         Atrelado a isso, impõe-se observar que existem algumas heresias incentivadas por algumas igrejas, entre as quais destaco, o batismo de criança (chamado de Pedobatismo). É uma heresia, porque uma criança, não tem entendimento sobre o tripé que sustenta a realização deste rito, qual seja: arrependimento, fé e confissão. Outra grande heresia, é o batismo celebrado em favor dos mortos ou necrobatismo. A religião dos mórmons batiza pelos mortos, o que é um equívoco teológico absurdo.

6. O que resulta do batismo?

        A partir do batismo, a pessoa passa a fazer parte do corpo de Cristo, consoante o apóstolo Paulo nos ensinou em I Coríntios, capítulo 12, verso 12 e seguintes. Cada batizado passa a ser membro do corpo de Cristo e deve colocar à disposição de Deus e do corpo de Cristo a sua vida. Ao lado disso, deve buscar os dons do Espírito Santo, e o seu ministério na igreja, ao passo que, nenhum membro deve ficar parado. O batismo é tão importante que o próprio Senhor Jesus Cristo se batizou para cumprir toda a justiça de Deus (MT 3:15). O Senhor Jesus Cristo deixou o exemplo, o modelo, o paradigma do cumprimento da Teodicéia.

A palavra Justiça aqui, tem estribo na verdade da ordo salutis, ou seja, a ordem ou caminho da salvação, e o Senhor Jesus Cristo como salvador inaugura a ordo salutis. Ao lado disso, o texto Sagrado vai dizer que quando eu me batizo n’água eu sou revestido de Cristo, mais uma vez se nos aparece a ideia da imersão

7. Qual é o momento certo para se batizar?

Infelizmente, muitos há que insinuam a extemporaneidade do batismo  de algumas pessoas, principalmente a respeito daquelas que se batizaram sem um longo estudo da Palavra de Deus, ou que seria inapropriado algumas pessoas se batizarem por lhes faltarem o abandono de algumas mazelas. Contudo, gize-se que só não se pode batizar aqueles que não têm condições de compreenderem o que significa o batismo e as bases batismais, quais sejam: arrependimento, fé e confissão. Por isso, o pedobatismo (ou batismo de crianças) é um desajuste teológico.

Todavia, se uma pessoa entende o que é batismo, ela deve batizar-se em cumprimento à ordem de Cristo. O texto de Atos dos apóstolos, também chamado de narrativa dos Atos do Espírito Santo, no capítulo 8º apresenta que o eunuco de Candace voltava de Jerusalém lendo o texto Sagrado quando foi abordado por Filipe (diácono cheio do Espírito Santo), que orientado pelo Espírito Santo lhe indagou se entendia o que lia. Veja que o entendimento é a base para o batismo. Então, o Eunuco pediu que lhe explicasse, e depois de explicado o texto, creu na Palavra de Deus e se decidiu ao batismo. É célebre a afirmação de Filipe ao Eunuco: “É licito se crês de todo o coração”. Disse isso em resposta à indagação do Eunuco sobre o óbice batismal: “O que me impede de ser batizado?”.

Em Consequência disso, infere-se que o óbice é a incredulidade. Contudo, se crer, e o crer deve ser racional, cognoscente, assim, se a pessoa manifesta essa capacidade de compreensão, não só pode como deve se batizar.

8. Como se deve batizar?

Há quem diga que o batismo deve ser realizado do modo que a pessoa quiser, porém já vimos que não. Pois bem, há alguns que afirmam que o batismo deve ser realizado em nome de Jesus Cristo, com base no que escreveu o apóstolo Lucas em Atos 22, verso 16. Pois, parece que, para alguns a igreja primitiva, por costume batizava em nome de Jesus Cristo, mas, tradicionalmente a igreja de Cristo batiza em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (MT 28:18-20). O que passa disso é polêmica infrutuosa.

8.1 – Quem deve batizar?

O apóstolo Paulo mostrou-se avesso a uma possível disputa entre os anunciadores do evangelho para saber quem era o que mais batizava. É de se ver que ele disse que só havia batizado a Crispo e a Gaio e a família de Estéfanas e por isso, entendia que o batismo não foi no nome de Paulo, ou para a glória de Paulo, ou ao fim e ao cabo de torná-lo o mais importante dentre os demais pregadores ou apóstolos. A igreja não pode se dividir entre os supostos melhores pregadores, ou entre os maiores batizadores (ICO 1:14-16).

9. A diferença entre o batismo na água e o batismo com o Espírito Santo

Apesar de o apóstolo Paulo tratar do batismo como ato único (Efésios 4:5), penso que ele se refere ao batismo na água que é o de ingresso na anatomia do corpo de Cristo. Antes de adentrarmos na diferenciação dos batismos, deixa-me por agora, apresentar curtas e apertadas explicações sobre a Pessoa do Espírito Santo.

Em primeiro plano, é digno de nota que no original Grego Koinê, Espírito Santo vem do vocábulo pneuma que significa “espírito”, mas não em inércia, todavia, em movimento, haja vista que vem de pneuma, o sufixo “ma” ligado ao vocábulo “pneu” sugere movimento, ou melhor “espírito em movimento”, remonta o cenário genesíaco em que o Espírito se movia sobre a face das águas (Gênesis 1:1-5).

Noutro plano, a outra palavra que se nos aparece é agion está no modo acusativo, que é o modo do objeto direito, de sorte que, ocupa a posição passiva, ou seja, que recebe. Então, o Espírito Santo é agente, ou seja, “Pneuma”, e paciente, isto é, “Ágion”.  

De outro prisma, o Espírito Santo traz os atributos da Divindade, uma vez que, o vocábulo Espírito abarca os atributos espirituais que eu prefiro chamar de notabilidades espirituais (inteligência, eternidade, infinitude, onipresença, onipotência, onisciência, onividência) e no vocábulo santo encontramos os atributos morais que eu prefiro chamar de notabilidades morais (amor, paz, justiça, verdade, equidade, longanimidade). De maneira que no Espírito Santo encontramos a Mística e a Ética. Pois, a Mística trata da natureza de Deus e a Sua impenetrabilidade, e a Ética desvela a modulação das ações da igreja. Os atributos no homem são sempre possíveis. Mas em Deus que se tornam questionáveis em termos terminológicos, pois que, ao Deus Todo-Poderoso nada se pode atribuir, como escreve Maimônides, porém, pode-se, apenas constatar, notar, por isso, é melhor dizer que são as notabilidades.   

9.1 – O batismo com o Espírito Santo não está ligado simultaneamente ao batismo n’água

O texto bíblico por intermédio da pessoa de João Batista esclarece que o batismo com o Espírito Santo não se confunde com o batismo n’água. É interessante considerar que o verbo batizar aparece 76 vezes no Novo Testamento e, a palavra “baptisma” da qual deriva a palavra batismo aparece 20 vezes no Novo Testamento, de sorte que o batismo implica numa ação e não numa inação. O batizando não adota uma posição passiva, mas ativa no batismo. O batizando quer se batizar.

Apesar da diferença entre um batismo e outro, ambos são do céu, ao passo que Jesus Cristo deixou os príncipes dos sacerdotes, ou seja, os que compunham o corpo de Cohen Gadol (sumo-sacerdócio) e os anciãos do povo (Anfictionia de Iavé) numa situação complicada, quando lhes indagou: “O batismo de João donde era? Do céu ou dos homens?” (MT21:25). O dilema pedagogicamente proposto os deixou numa encruzilhada, pois se dissessem que era do ceú, teriam que responder, porque não creram. Se dissessem dos homens comprariam uma briga com o povo, que acreditava em João Batista, assim, se calaram.

Frente às declarações acima expendidas, infere-se que o batismo n’água é do céu para os homens. Essa é a resposta. Nós estamos sempre cheios de perguntas, e a Bíblia está plena de respostas.

Com efeito, nota-se que o Senhor Jesus Cristo se pôs como o paradigma para os salvos cumprindo a Teodicéia (MC 10:38,39). Discrepa-se o batismo de João (arrependimento) do batismo de Jesus (revestimento de poder).

Reitera-se, o batismo de João é de arrependimento do Céu para os homens.  E o de Jesus Cristo, ou seja, o batismo com o Espírito Santo consiste no revestimento, ou seja, é do Céu para a igreja.

De outro prisma, o batismo de João foi considerado um marco temporal a quo, isto é, de início, para e identificar quem poderia ser escolhido como apóstolo, enquanto que a assunção ao céu foi o marco temporal ad quem para identificar quem poderia ser escolhido como apóstolo (Atos 1:22). Para ser apóstolo, inicialmente, teria que ter sido testemunha ocular do percurso do Messias, desde o início até o fim. Porém, a referida regra foi quebrada pelo Senhor Jesus Cristo, haja vista, ter sido um critério apostólico, e não um critério messiânico. Refiro-me ao apostolado de Paulo, que não presenciou todos os fatos que envolveram a Jesus Cristo, mas foi chamado pessoalmente pelo salvador.

Malgrado, importa dizer que a unidade do batismo que se refere o apóstolo Paulo, em sua encíclica aos efésios, no capítulo 4º, verso 5º diz respeito à composição anatômica da igreja, ou seja, todos estão unidos pelo batismo de arrependimento.

Dito isso, importa demonstrar que algumas denominações amarram um batismo noutro, afirmando que quando alguém se batiza na água, para arrependimento simultaneamente também está sendo batizado com o Espírito Santo, não é verdade. A guisa de exemplo, quando houve a descida do Espírito Santo no dia de pentecostes, todos aqueles crentes aguardavam a paraclese, ou seja, a manifestação do Espírito Santo, consoante previsto pelo Senhor Jesus Cristo, como escreve o evangelista Lucas, verbis:

“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai, ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (LC 24:49). Confere-se que, se os crentes já tivessem sido batizados com o Espírito Santo não precisariam aguardar a epifania do Espírito Santo, ou em palavras outras, a epiclese. Ficaram em obediência reunidos, até que no dia de Pentecostes veio o Espírito Santo.

A ideia do Sagrado está contida aqui, pois, há o batismo n’água que lava, e há o batismo com fogo que santifica. Remissão e santificação. Arrependimento e revestimento.

Ao longo da história da igreja, segundo a narrativa de Lucas, que apresenta uma síntese dos atos do Espírito Santo, a que chamamos de atos dos apóstolos, ele salienta que a promessa do Espírito Santo foi dada a todos que creem (Atos 2:38,39), e uma vez mais, revela a diferença entre um batismo e outro. Mais à frente, ele revela que podem ocorrer rebatismos com o Espírito Santo, que leva à igreja a ter a Plenitude do Espírito Santo (Atos 4:31).  A diferença entre o batismo com o Espírito Santo e a Plenitude do Espírito Santo é que o batismo é uma experiência estanque, histórico-pessoal, enquanto que a plenitude é experiência continuada.

A plenitude do Espírito Santo ou pleroma é vista e testemunhada na vida de algumas pessoas, como por exemplo, na pessoa do diácono Estevão (Atos 6:5). O texto bíblico apresenta em letras que saltam aos olhos que, o corolário de uma vida cheia do Espírito Santo é, sem dúvida, os prodígios e grandes sinais (Atos 6:8). Aliás, não se pode olvidar que um dos critérios para a escolha dos diáconos, era o de que tivessem de ser cheios do Espírito Santo (Atos 6:3). A plenitude do Espírito Santo era um importante critério, além do critério ético. Quer dizer, o critério ético ao lado do critério místico.

9.2 – O Batismo com o Espírito Santo não é a segunda benção

O texto de Atos dos Apóstolo aduz que o Senhor Jesus disse aos seus discípulos, verbis:

“E eis que sobre vós envio a Promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que sejais revestidos de Poder” (Lucas 24:49).

Nota-se que nos versos que antecedem este posto acima, o Senhor Jesus Cristo está anunciando o arrependimento e a remissão dos pecados, de sorte que aponta a missão consistente em pregar o arrependimento (batismo nas águas) e a remissão dos pecados (Lucas 24:47,48). Contudo, não se pode dizer que o Batismo com o Espírito Santo é uma segunda benção, haja vista que colocar sobre o Espírito Santo uma posição ordinal secundária não se amolda à verdade. E em se tratando do batismo com o Espírito Santo o livro de Atos do Espírito Santo narra que houve na história da igreja momento em que o Espírito Santo batizou primeiro pessoas que depois foram batizadas nas águas (Atos 10:44-48), foi o que aconteceu na casa de Cornélio, um dos primeiros gentios a se converter com toda a sua família. No texto em foco, primeiramente foram alcançados com o Dom do Espírito Santo, e depois batizados nas águas, de maneira que não se pode chamar o batismo com o Espírito Santo de segunda benção.  

O que se pode dizer é que o batismo n’água é para arrependimento, e o batismo com o Espírito Santo é para o revestimento (Lucas 24:47-48).

         O batismo com o Espírito Santo no original grego no texto em tela, e em comento sobre Cornélio foi chamado de h dwrea tou Agiou Pneumatos, ou seja, de Dom do Espírito Santo (Atos 10:45). Foram batizados com o Dom do Espírito Santo e depois batizados n’água (Atos 10:48). Então, parece que tem clareza solar a soberania de Deus e que o Espírito Santo não está adstrito às convenções nem aos paradigmas humanos. O batismo com o Espírito Santo pode acontecer depois do batismo das águas, como aconteceu com os primeiros discípulos que ficaram em Jerusalém até que fossem revestidos de poder (Atos 2), e foram revestidos de poder no dia de Pentecostes, consoante a promessa do Senhor Jesus Cristo. Todavia, no capítulo 8º do livro de Atos, encontramos que os discípulos em Samaria tinham recebido o batismo de João, ou seja, de arrependimento, mas precisavam do batismo com o Espírito Santo (Atos 8:14-16).

            Vejo um erro na igreja cristã de hoje, muito se valoriza o batismo n’água, mas pouco se valorizava o batismo com o Espírito Santo, e a igreja primitiva entendia que se alguém fosse batizado n’água e não fosse ainda batizado com o Espírito Santo, um apóstolo era enviado para resolver esse problema, pois crentes sem o batismo com o Espírito Santo na igreja é um problema (Atos 8:14-17). O batismo com o Espírito Santo se dava, como se dá hoje pela a imposição das mãos dos apóstolos e líderes (presbitério da igreja) consoante está escrito em Atos 8:17. Registra-se que apesar da exagerada síntese narrativa da conversão do apóstolo Paulo, gize-se que com ele (Paulo) não foi diferente, primeiro Ananias impôs-lhe as mãos, ele recebeu o Espírito Santo e depois foi batizado n’água (Atos 9:17-19).

         Nessa altura, é importante salientar que o apóstolo Paulo foi cheio do Espírito Santo, plhsqhs, ou seja, pleno (Atos 9:17). Daí, concluir-se que existe a Plenitude do Espírito Santo, além do batismo com o Espírito Santo. Mas, antes de adentrarmos no ponto em que iremos discrepar o batismo com o Espírito Santo da Plenitude do Espírito Santo, quer-se, por hora, aduzir mais um caso em que põe ao chão que o batismo com o Espírito Santo guarda simultaneidade com o batismo n’água.

         Em Éfeso aconteceu como foi em Samaria, os crentes já tinham sido batizados no batismo de João, ou seja, para o arrependimento, mas faltava-lhes o batismo com o Espírito Santo, sublinha-se, eles afirmaram que não sabiam sequer da existência do Espírito Santo, como hoje, algumas igrejas sequer sabem de Sua existência, diz o texto que receberam o batismo com o Espírito Santo e começaram a falar em línguas e a profetizarem (Atos 19:1-6).

        9.3 - A diferença entre o ser batizado com o Espírito Santo e o ser cheio do Espírito Santo

É emblemática a logia de Jesus Cristo, a saber: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8).  A ausência do Espírito Santo gera o caos eclesial.

Nesta praça de reflexão, cumpre considerar que o relacionamento com o Espírito Santo é indispensável, dado que de acordo com a Teologia Paulina, o Espírito Santo penetra às profundezas de Deus (I CO 2:10), chega-se à ilação de que, quem se relaciona com o Espírito Santo faz uma viagem para dentro de Deus, e Deus para dentro da pessoa, o que chamamos de enteose. 

O Espírito Santo nos leva para dentro do íntimo de Deus, e é por isso, que precisamos da Plenitude do Espírito Santo, uma vez que, é o Espírito Santo que nos leva a penetrar no íntimo de Deus. Assim sendo, o homem espiritual (pneumatikós, Gr.) é diferente do “psikikós” (Gr.), ou seja, do homem natural, e também em nada se assemelha com o homem “sarkikós”, isto é, o carnal (I CO 2:14-16 a I CO 3:1).

O batismo com o Espírito Santo é um momento ou marco temporal e inaugural na vida do crente em Jesus, mas, cada crente precisa manter-se cheio do Espírito Santo, por isso que, logo depois do dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo batizou a igreja, os crentes se mantiveram reunidos em prol da Plenitude do Espírito Santo (Atos 4:31). Vê-se que o resultado da imersão no Espírito Santo foi a coinonia (Atos 4:32-36, SL 133).

9.4 – O Senhor Jesus Cristo como homem era cheio do Espírito Santo

A Palavra de Deus é clara, o Senhor Jesus Cristo estava cheio do Espírito Santo, e por isso, foi capaz de ser conduzido pelo Espírito Santo e vencer a satanás (Lucas 4:1). Estranhamente o Espírito nos leva para confrontos, os quais não gostaríamos de ter.

É interessante notar que o adjetivo “cheio” (pléres, Gr.) aparece 16 vezes no Novo Testamento e o substantivo “plenitude” (pléroma, Gr.) aparece 17 vezes. Já o verbo encher aparece 86 vezes. Conclui-se que o assunto é palpitante no texto sagrado. E o grande paradigma da Plenitude do Espírito Santo foi o próprio Senhor Jesus Cristo (João 1:14, Lucas 2:40).

9.5 – Os discípulos da igreja primitiva eram cheios do Espírito Santo

Ponha-se os olhos sobre o que está posto como critério para ser um diácono (Atos 6:3), ou seja, para ser um diácono, sublinha-se, como pressuposto o aspirante tinha que ser cheio do Espírito Santo.

9.5.1 -Estevão foi um diácono cheio do Espírito Santo (Atos 6:3,5,8 e 7:55) e manifestava milagres e prodígios.

         9.5.2 – Tabita era cheia do Espírito Santo e operava na caridade com boas obras e esmolas (Atos 9:36).

         9.5.3 – Barnabé era cheio do Espírito Santo e de fé, e por conta disso, ganhador de muitas almas (Atos 11:22-26). Os crentes desenvolveram uma intimidade tão grande com Cristo que foram chamados pela primeira vez de cristãos em Antioquia, dada a semelhança que tinham com Cristo (Atos 11:26).

9.5.4 – Paulo era cheio do Espírito Santo e teve um confronto com Elimas cheio de todo o engano e de toda a malícia (Atos 13:9,10). Daí surgiu o que chamamos de Elimasia”, ou seja, o pecado de resistir à Palavra de Deus e ao Espírito Santo e o de perturbar os retos caminhos do Senhor (Atos 13:8-11).

9.6 – Os maus exemplos para todos os cristãos – O texto de Atos dos Apóstolos afirma que a contrário senso, o casal composto por Ananias e Safira deixaram que satanás enchesse o coração deles (Atos 5:3).

9.7. – A PLENITUDE DO ESPÍRITO SANTO SE TORNOU DOGMÁTICA

         Dito isso, nos cabe agora observar que os apóstolos passaram a orientar a igreja a buscar a plenitude do Espírito Santo (Efésios 3:19, 5:18, Colossenses 1:9), João chegou a dizer que todos os crentes estavam recebendo da Plenitude do Senhor (João 1:16).

         A plenitude do Espírito Santo também foi chamada de plenitude de Deus e plenitude de Cristo, o que dá ensejo ao entendimento de que a doutrina da Plenitude do Espírito Santo está intimamente relacionada com a Doutrina da pericorese, de modo que toda a Plenitude da divindade está em Jesus Cristo (Colossenses 1:19 e 2:9; Efésios 3:19, 4:13) e a igreja deve ser receptáculo da plenitude do Espírito Santo (Efésios 1:23).

 

Conclusão:

Ultimando as nossas palavras, mas não exaurindo o assunto, cabe a igreja atentar tanto para o batismo n’água como para o batismo com o Espírito Santo, posto que, o batismo n’água nos coloca no Reino de Deus, e o batismo com o Espírito Santo coloca o Reino de Deus em nós. O batismo n’água me faz romper o vínculo com o pecado, e o batismo com o Espírito Santo me faz romper o vínculo com o mundo!  

 

 

 

 

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