Do Bp. Dr. Alexandre R. Metello
Tema: O Evangelho do Poder de Deus e da plena convicção.
Introdução:
Inicialmente, é de se observar o que está posto no verso 5º, do capítulo 1º de I Tessalonicenses d’onde se extrai, verbis:
“Porque o nosso Evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas sobretudo, em poder no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós”.
Esta lição nasce de uma percepção do factual, que desafia sempre a fé. Tenho dito reiteradamente que a fé é desafiada pelo factual. O fato é que estamos involucrados num mundo de incertezas. As pessoas estão cheias de não me toques, quer dizer, cheias de melindres, então, há uma incerteza relacional, de tal sorte que não sabemos mais quem bem-me-quer e quem malmequer. Dói saber que essa nova geração tudo é motivo de intriga, desafeto e distanciamento. É um zum-zum-zum terrível. Você vale o que faz, o que dá, e não o que é, infelizmente estamos num tempo de objetificação. Lmebro-me de Kant, o qual ensinou que o ser humano é um fim em si mesmo e não um meio. Melhor lição sobre a não objetificação é difícil de encontrar. Somado a isso, há uma grande incerteza temporal, ou seja, vivem tiquetaqueando, tentando controlar o tempo, e isso num absurdo descompasso com relação a vida e com relação ao desfecho histórico, nós estamos imersos no escatocronos (último tempo) e tem gente que pensa que estamos no protocronos (nos primeiros anos da humanidade) num estado de inação, entorpecimento do raciocínio, de fraqueza na atividade cerebrina. Infelizmente, hoje, muito me dói o lenga-lenga, a demora em atender, a morosidade e a lentidão de muitos irmãos, que se apresentam a Deus com cara de sono.
Além disso, há uma incerteza espacial. Gize-se que não raro se vê pessoas mudando de lugar constantemente, recordo-me que, muitas pessoas estão vivendo o efeito da transitoriedade (lição do meu professor Pablo Deiros), aprendemos o maldito desapego, o que está derretendo os relacionamentos, haja vista que, o espaço é onde estabelecemos a interação e a integração.
Pari passu, há quem não entendeu a fé, não possui a plena convicção evangélica. Isto é, muitos estão vivendo na incerteza auto pessoal. O que muito me assusta é o blá–blá-blá, pois é, tanta gente diz que é, mas não é, o chamado slogan do “denorex”, “parece que é, mas não é”. A Filosofia chama isso de inefetividade ou inautenticidade. Acrescentaria à reflexão, parece que está, mas não está! Infelizmente, atualmente, existem pessoas ziguezagueando e ferindo a consuetudinária, indo de culto a culto, de igreja a igreja, de cultos de santificação (consagração) a cultos de santificação (consagração), para lá e pra cá! Já ouviu falar no crente coca cola? Não!? Explico! É o crente cheio de gás e nada do Espírito Santo.
Dito isso, vamos juntos mergulhar nas verdades bíblicas sobre a convicção cristã no Evangelho. Esse é o miolo, o tema central da lição de hoje.
- O apóstolo Paulo infirma uma convicção no Evangelho baseada só em palavras
O Evangelho de Cristo não é uma mera Filosofia, por isso, não se baseia em argumentações, sofismas ou ideologias, mas ao contrário, antes de qualquer coisa, o Evangelho se funda no Poder de Deus. Foi o que o apóstolo Paulo disse aqui e acolá. Vamos ao acolá! Leia-se:
“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Romanos 1:16).
Faço questão de transliterar o que está no Original Grego Koinê, leia-se:
“Ou gar epaisrrýnomai tô Euangélion Dýnamis gár Theou”. Porque não me envergonho do Evangelho, pois é o Dýnamis (Poder, virtude) de Deus. Nota-se que, o verbo envergonhar está na voz passiva, ou seja, uma ação que se volta para o agente, isto é, o agente também é paciente da ação. Não se envergonhar é uma ação introversa.
- O apóstolo Paulo afirma o Evangelho do Poder do Espírito Santo
Como tínhamos dito em linhas antes palmilhadas, o Evangelho não é uma Filosofia, todavia, apesar de ter incontestável dogmática, alicerça-se no Poder de Deus. Basta pensar, se o Senhor Jesus Cristo quisesse apregoar uma Filosofia, seja com cunho judaico ou grego, não estaria determinando que os discípulos ficassem em Jerusalém até que fossem revestidos do Poder do Espírito Santo, vejamos:
“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lucas 24:49).
Mais uma vez o vocábulo “dýnamis” (Poder) aparece. Deduz-se que a igreja precisa do Poder de Deus. Agora bem, infelizmente, muitas igrejas incentivam a não buscar a Deus. Ah! Quando eu era criança e depois adolescente, dentro de uma igreja tradicional, eu ouvia muitas idiotices de pessoas despreparadas que, indagavam: Para que buscar o Espírito Santo? Onde diz na Bíblia que devemos buscar o Espírito Santo?
Olha o que diz a Bíblia:
“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, em remissão de pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa”. (Atos 2:38-40).
A geração perversa não crê na ação, nem na Presença, nem na Promessa, nem na manifestação do Espírito Santo. Não é para buscar a Deus? Então, o que podemos concluir do que está escrito em Jeremias 29, verso 13, considere:
“E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração”. (Jeremias 29:13).
Não obstante, em I Coríntios, no capítulo 14, verso 1º arrostamos o que segue:
“Segui o amor e buscai, com zelo, os dons espirituais (dons do Espírito Santo), mas principalmente o de profetizar”.
Anote aí! O próprio Deus manda através do vaticínio de Jeremias que o busquemos! Anote aí! O mesmo Deus ensina por intermédio do apostolado paulino que busquemos os dons do Espírito Santo, daí vem alguém inflamado pelo inferno e tenta destruir o nosso amor e desejo de buscar o Espirito Santo. É erro risível acreditar que temos que buscar outras coisas, senão a presença de Deus, e buscar outras pessoas, senão a Pessoa do Espírito Santo. Muito que bem, eu poderia trazer à colação inúmeros textos que tratam da busca do Espírito Santo, contudo, vamos ficar apenas com esses textos.
- O apóstolo Paulo afirma o Evangelho da plena convicção
Dito isso, vamos ao ponto culminante da lição, vamos tratar da mindset cristã. Aprendi essa palavrinha que para mim faz muito sentido teológico. O Google, o novo “pai dos burros” (o novo dicionário universal) define da seguinte maneira: “mindset é a configuração da mente e se refere ao conjunto de crenças, atitudes e valores que moldam a maneira como vemos o mundo e interagimos com ele”.
Face ao exposto, peço-lhes que fiquemos com a primeira definição, ou seja, mindset é a configuração da mente. Gize-se que, estamos num tempo em que, fala-se muito em PNL (programação neurolinguística) e reprogramação mental. Tais tendências são perigosas para os cristãos, pois, percebe-se que o diabo deseja dominar a humanidade e tem visado diminuir a capacidade de discernimento e a capacidade de pensar das pessoas. Hoje com o site GPT por exemplo, muitas pessoas não querem mais criar, toma o texto pronto e o expõe como se fosse de sua autoria! Acho graça quando alguém me envia um texto e eu sei que não foi tracejado, escrito pelo emitente ou remetente, mas, tomado de empréstimo do GPT. A que ponto chegamos?!
É tão espantoso o quadro que, gente há que não percebeu a ação do diabo, o qual tem tentado operar nas crianças e adolescentes o “brain road” (derretimento, apodrecimento do cérebro) através dos desenhos animados. Faceia-se, por isso, temos que retomar o que nos ensinou o apóstolo Paulo sobre a plena convicção. Fico extasiado, quer dizer, em êxtase ao verificar que no original grego, Paulo assinala a palavra “pleroforia”, ou seja, confiança inabalável, convicção plena. A pleroforia é uma consequência do exercício de um trabalho forense de reunião de provas, então, depois de reunir provas cabais e basais, o advogado sabe que sua tese está sedimentada, alicerçada na verdade dos fatos.
Conclusão:
Sabe-se que, mediante a tudo que já lemos sobre o Senhor Jesus Cristo, igualmente, diante de tudo que sabemos que Ele fez para nos salvar, frente também a tudo que Ele fez e faz para nos ajudar, nos abençoar, assim como, encarando tantas evidências de que Ele está vivo operando inúmeras maravilhas, por que alguns crentes ainda andam como se estivessem vivendo num conto ou no faz de contas?
Está na hora do povo de Deus acordar e agir como um povo que tem convicção plena!