A importância de ter uma igreja doutrinária

Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.” (2 João 1:9).

Introdução:

Ganhando ar para tratarmos de um assunto tão palpitante, devemos começar considerando alguns temas que são apresentados pelo apóstolo João à pastora da igreja. A Epístola foi escrita pelo apóstolo do amor, João, nos idos de 85-95 d.C., a academia teológica concorda que foi escrita em Éfeso para uma pastora de uma igreja local.

Muito se discute sobre quem era o destinatário da epístola, se uma igreja ou se uma pessoa chamada de presbítera? Eu penso que é um sexismo do mais ralo e mais rente ao chão pensar que o apóstolo usaria o termo presbítera ou senhora eleita para uma igreja, haja vista que, em momento algum nem em lugar algum a igreja é chamada de senhora. Como já escrevi em meu livro O Manual dos Ministérios, fico com a hipótese de que João escreveu para uma líder eclesiástica. Agora bem, para quem ele escreveu não é tão importante quanto o que ele escreveu. Por isso, vamos entender o que ele quis passar para o povo. 

I – O apóstolo João ressalta o amor pela verdade

Infelizmente, atualmente muitos cristãos têm preferido amar o mundo, amar os prazeres momentâneos do que amar a Cristo. Como está escrito, verbis:

 “Não ameis o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”. (1 João 2:15).

No amor à verdade dois aspectos estão guardados, a um, o cognitivo e a dois o volitivo. A mente e a vontade devem estar integradas no amor à verdade, isto é, no amor a Jesus Cristo. Com efeito, é preciso entender que nada se faz sem vontade de fazer, por isso, aqueles que servem e amam a Jesus Cristo manifestam com grande vontade de trabalhar na seara do Senhor. Todavia, infelizmente muitos se encontram na esfera do profano, pois possuem o Espírito Santo, contudo, o resistem com dureza de coração, como está escrito:

 “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação”. (Hebreus 3:15).  

Um sem número de crentes têm resistido a voz do Espírito Santo! Ah, como seria bom se todos dessem o máximo nos seus chamados! É de sabença de todos que muitos têm dado o mínimo para Deus.

II – O apóstolo João sinaliza que não são muitos que andam na verdade

Gruda na nossa mente, bem facilmente, a inteligência de que ninguém anda na verdade, se não amar a verdade. Amar a verdade é antecedente e andar na verdade é consequente. A verdade só estará alocada na nossa caminhada se antes estiver hospedada em nossa consciência. Vê-se que é necessário amar a verdade para se poder andar na verdade. Com os pés sobre a mesma esteira o apóstolo Paulo escreveu:

“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne”. (Gálatas 5:16).

Andar na verdade, disse João, andar em Espírito, disse Paulo, adorar em Espírito e em verdade disse o Senhor Jesus Cristo (João 4:23,24). Verifica-se que o professor Pastor Miranda Pinto, fundador do Seminário Teológico Betel estava certo quando disse: “Toda teologia começa em Jesus Cristo e termina em Jesus Cristo”.

Fico desperto diante do texto Joanino:

“Muito me alegro por achar que alguns de teus filhos andam na verdade, assim como temos recebido o mandamento do Pai. (2 João 1:4).

 Alarma-me ao me debruçar sobre o texto e constatar que já naquela época, apenas alguns dos filhos na fé da pastora andavam na verdade. Recordo-me do Pastor Abraão Carneiro de Campos (meu querido avô) que me dizia: “Alexandre, se eu conseguir colocar no céu cinquenta por cento da minha igreja, me considerarei vitorioso, mas na tua época, se você conseguir colocar trinta por cento no céu, dê-se por satisfeito.

Nota-se, se pararmos para pensar, hoje a grande maioria não quer saber da Doutrina bíblica, ao contrário, procuram a igreja do oba-oba, da relativização da verdade.

II.1 – O apóstolo João lembra que a verdade no amor é mandamento antigo, e muitos vivem na mentira

Tanto é assim que, ainda continuamos precisando pregar para cristãos sobre o amor, sobre o respeito, sobre obediência à liderança, sobre compromisso com a obra, sobre o saber perdoar.

 “E agora, senhora, rogo-te, não como se escrevesse um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: Que nos amemos uns aos outros. E o amor é este: Que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, que andeis nele”. (2ªJoão 1:5,6). O amor é mandamento antigo, o amor é mandamento dado desde o princípio, o amor exige reciprocidade, isto é, se eu recebo honra devo dar honra, se recebo amor devo dar amor, mas se não recebo amor, devo ser o primeiro a entregar o amor. A ideia é enantiomórfica, ou seja, do vis-à-vis, do Téti a Téti, do olho no olho, do espelhamento, quer dizer, preciso ver a minha imagem no outro, o amarás o teu próximo como a ti mesmo é isso. Por isso, precisamos da Doutrina, pois, se não houver ensinamento sobre o que é ser igreja, jamais viveremos como Corpo de Cristo. A dicotomia consiste na polarização entre verdade (amor) e mentira (desamor). Quem ama vive na verdade, todavia quem não ama é mentirosos e odeia a seu irmão.

III – O apóstolo João diz que o amor é mandamento que deve ser transformado em Doutrina

O apóstolo João em todo o tempo, vai alertar para o fato de que muitos falsos cristãos se introduzem em nosso meio com falsas doutrinas, por isso, precisamos ter cuidado com a nossa unidade, para não sermos enganados. Vale considerar o que está posto nos versos 7,8 da indigitada epístola, verbis:

“Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão. (2ª João 1:7,8). Percebe-se que um crente tem amor, quando ele se preocupa em não perder um irmão em Cristo, e o amor precisa se tornar Doutrina, porque os enganadores não sabem o que é amor, mas sim o que é ganância e interesse próprio. O falso crente usa o outro como um trampolim, ou uma escada para chegar em seus objetivos, reiteradamente, tenho dito que Immanuel Kant, um dos maiores filósofos lecionou, que a regra universal da ética é ver o ser humano como um fim em si mesmo e não como um meio”.

Os enganadores fingem amor, fingem gratidão, fingem irmandade, mas apenas são interesseiros. Por isso o amor deve ser transformado em Doutrina. O apóstolo João escreve que o verdadeiro cristão mora na Doutrina, ele usa o verbo menw (méno, Gr.) que significa permanecer, morar, fincar-se. Então, o verdadeiro cristão mora, permanece, habita na Didaquê (Doutrina, ensino, Didática). O apóstolo João está preocupado com a permanência da igreja na Doutrina, pois ele sabia que os falsos mestres, os falsos profetas, os falsos doutores não gostam de Doutrina, têm uma resistência imensa. Como bem escreveu João, a saber:

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis”. (2ª João 1:9,10). Perceba que o apóstolo insiste na mesma tecla, ou seja, Doutrina de Cristo e Doutrina de Cristo e Doutrina, e aconselha algo que demonstra inflexibilidade total, qual seja, “não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis”.

Infere-se de todo o exposto que, quem quer viver no amor de Cristo, ama a sua Doutrina. Dessa forma, é bom de ver que, o grande Evangelista Jonh Wesley trouxe o que a Teologia chama de quadrilátero Wesleyano, isto é:

“Escritura, razão, tradição e experiência”. É importante considerar rapidamente o quadrilátero, primeiro, a Escritura é a base de tudo, desde a Reforma Protestante se diz: Sola Scriptura (Hebreus 4:12). Segundo ponto, a razão, o nosso culto deve ser racional (Romanos 12:1-13). Terceiro, a tradição, como disse João o apóstolo, o amor é mandamento antigo, e precisa ser passado para as novas gerações, tradição vem de “traditio” que significa “entrega, transferência. E por fim, é necessário ter a experiência com Deus. Jonh Wesley ainda defendia que cada crente tem um dom, e consequentemente cada crente tem um ministério. Assim sendo, que na anatomia do Corpo de Cristo existem dons e ministérios.

Conclusão:

A igreja de Cristo deve guardar a Doutrina, deve desejar a Doutrina, pois, como já aprendemos, cinco são as bases da igreja de Cristo, a Didaquê, o querigma, a coinonia, a liturgia e a diaconia, de sorte que precisamos viver na Doutrina de Cristo, pois, por meio dela entendemos que o fruto do Espírito Santo é a obra de Deus em nós (Gálatas 5) e os dons do Espírito Santo é a obra de Deus através de nós (I Co 12). Não adianta ter dons, sem ter caráter. 

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