Do Bp. Dr. Alexandre R.Metello

TEMA: QUAL É O SENTIDO DA PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO?

Introdução:

O texto diz que a referida parábola brota de uma conversa do Senhor Jesus Cristo com um intérprete da lei. O referido intérprete queria pegar uma falha nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo, e então lhe indagou sobre a vida eterna, como alguém poderia ter a vida eterna?

Face ao exposto, o Senhor Jesus Cristo perguntou o que está escrito na Lei, assim, o intérprete responde com a elocução, a qual estamos acostumados a repetir, verbis:

 “E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo”. (Lucas 10:27).

  1. Como devo amar a Deus e ao próximo?

Neste texto iremos aprofundar a ideia do cuidado pelo outro, mas, antes, precisamos entender como amar, para depois entendermos como cuidar. Até, porque, sem amor não dá para cuidar genuinamente. Primeiro, iremos debruçar sobre o amor que devemos a Deus.

    1. Como devo amar a Deus?

Já disse em outras aulas que esse texto me faz pensar sobre os ensinamentos de Heidegger que afirma existir duas transcendências a serem experimentadas, quais sejam, a transcendência vertical assimétrica, ou seja, a que se refere ao amor de Deus por nós e o nosso amor por Ele. Certamente que Deus está acima de nós, por isso, é uma transcendência vertical, Ele é o Ser Supremo e nós seres contingentes. O que é transcendência? É um abismo que nos separa, depois da queda humana, abriu-se esse abismo gerado pelo pecado. É assimétrica, porque por mais que queiramos amá-lo como Ele nos ama, isso é impossível, o Senhor ensinou essa verdade quando conversava com Pedro depois da ressurreição. Vamos pensar...Amarás o Senhor Teu Deus. Primeiramente, a relação é de Senhor e súdito. Reitero, a relação é de Senhorio, entre Governante e governado. Depois, a relação é de pertença, Deus lhe pertence, nos pertence, nós o temos. Agora, Ele é Deus (eterno, santo, perfeito, justo, infinito), não é um igual. Ele é Supremo. Outra coisa, o amor por Ele exige integridade, enquanto que o amor por outra pessoa exige mesmeidade. Alinhemos o ensinamento, a relação com Deus é de senhorio, pertença e integridade.

 O que veremos mais adiante. Devemos amar a Deus com todo (integridade, inteireza) o nosso coração, e de toda a nossa alma (a alma inteira), e de todas as nossas forças (sem desânimo, sem desleixo) e de todo o nosso entendimento (com a mente consagrada, dedicada em sua inteireza).

1.2 – Como devemos amar o próximo?

Agora, com relação ao próximo, ou seja, aquele outro que Deus colocou perto de mim, Ele, o amor encarnado exige igualdade. Mas, entenda, o mesmo motivo que afastou a humanidade de Deus, também afasta a humanidade de si mesma, ou seja, o pecado, afasta as pessoas.

Não obstante, o amarás o teu próximo como a ti mesmo, revela que a relação é de pertença, pois o próximo é teu ou meu, a relação é de proximidade, ao passo que, posso resolver me afastar de quem está próximo, e abrir um abismo. E de outro prisma, a relação também é de mesmeidade, ou seja, Deus não exige nada além do que amarmos o outro na mesma proporção que nos amamos. Vejamos, como disse em linhas antes, o próximo é aquele outro que Deus colocou perto de mim, mas que por causa do meu pecado eu posso me afastar dele. Depois de aprender que devemos amar o próximo, e como amá-lo, vamos aprender como devemos cuidar do próximo.

  1. Como cuidar do próximo?

O Senhor Jesus Cristo ensinou o cuidado ao próximo, depois que o intérprete da lei indagou, quem é o meu próximo? Jesus o ensinou e fez isso através de uma parábola, isto é, a Parábola do bom-samaritano. Nessa parábola um certo homem descia de Jerusalém para Jericó, isso é grave, pois, ele estava saindo de uma cidade santa para uma cidade amaldiçoada, e nessa estrada ele, tornou-se vítima de roubo qualificado pela lesão corporal gravíssima, ao passo que estava quase morto. Mesmo nesse estado de quase morte, um sacerdote passou pelo mesmo caminho (isso o qualificou como próximo, pois, próximo é aquele outro que Deus coloca perto de mim), viu (e não se importou, pois, viu com os olhos, mas não viu com o coração), e passou de largo, olha aí o distanciamento. O egoísmo humano distancia-o do outro. O texto diz que o Levita, também ia pelo mesmo caminho (isso o qualifica como próximo), também viu, e também passou de largo. Quer dizer, dois homens, com formação religiosa, um sacerdote e outro Levita, todavia, ambos com atitudes idênticas, não fizeram a diferença. Gize-se que, Deus nos chamou para fazermos a diferença!   

2.1 – O cuidado começa com a inflexão

O samaritano não estava indo pelo mesmo caminho do homem violentado, agredido, mas, desviou o seu caminho para atender aquele homem. Quer dizer, apesar de não estar próximo se qualificou como o próximo daquele homem. O próximo, portanto, pode ser aquele que se qualifica como próximo, apesar de não estar próximo.

2.2 – O cuidado começa com a aproximação

            Nota-se a grande diferença entre o bom samaritano e os famigerados sacerdote e Levita, é que aquele se aproximou, chegou perto, os outros passaram de largo. Ainda hoje é assim, muitos passam de largo do nosso problema. Muitas vezes face ao nosso problema, a distância dos outros aumenta, enlarguece. Quem está próximo se distancia, se estrangeiriza, migra de próximo a afastado. O texto tem um silêncio eloquente, não diz que Deus mudou o caminho do bom-samaritano para socorrer o violentado, roubado, ferido. Mas, uma coisa é certa, aqueles viram de perto e se distanciaram, o bom-samaritano, viu de longe e se aproximou! Recordo-me de José Saramago que escreveu sobre os olhos de ver. Não adianta ter olhos que veem, sem ter visão e a capacidade de enxergar. Haja vista que enxergar consiste em ter uma interpretação consciente do que se vê. A aproximação se desdobra em empatia.  Ver aqui é elaborado como um ver-se machucado, ferido, quase-morto e pensar que seria maravilhoso que alguém me socorresse.

            2.3 – O cuidado consiste em curar as feridas

O bom samaritano era de um outro Estado, de uma outra etnia e se importou com as feridas daquele homem, o que ele fez?

  1. Estancou o sangramento: Quem ama o próximo deve tomar medidas urgentes e emergenciais e não deixar o outro morrer, não deixar a vida se esvair.
  2. Aplicou o óleo: Sabe-se que o óleo representa o Espírito Santo, e serve para restaurar o corpo e a alma.
  3. Aplicou o vinho: O vinho tipifica o sangue de Cristo e age como fator regenerador! Como Jesus Cristo disse:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. (João 6:54-56).

Vê-se que o vinho desvela o poder do Sangue de Jesus Cristo que é poderoso para debelar a morte!

  1. O cuidado consiste em tratar a pessoa

Observa-se que o ferido ou quase-morto não se conduz, mas é conduzido, o bom-samaritano além de conduzir o ferido, usou o que tinha para cuidar dele. Depois, de estar longe do perigo, delegou a outro que continuasse cuidando do homem. Pagou as despesas e assumiu dívidas futuras. Isso significa que cuidar de pessoas é investir no Reino de Deus e isso traz para si graça neste mundo e vida eterna no mundo vindouro. Cuidar de pessoa é no aqui e no agora, é de outro lugar e depois! É não desistir da pessoa.  

Conclusão:

Com essa lição se aprende que cuidar de pessoas é investir no Reino de Deus e manifestar a salvação. Pois, faço as obras porque sou salvo, não faço as obras para ser salvo!

 

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