“A paixão é toda a Humanidade”.

Balzac

TEMA: UMA IGREJA ESTRESSADA!

Introdução:

A correria da cotidianidade nos cansa. Por isso, o apóstolo Paulo disse: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.”

Penso que esse cansaço não é apenas físico, é muito mais emocional, o coração às vezes parece que vai explodir. Esperamos o momento certo para desopilarmos, mas parece que o momento não chega. Ficamos atarefados e acometidos por um grande estresse. O estresse muitas vezes é causado pela repetição de coisas rotineiras, quase que automatizadas, robotizadas, as quais nos envolvem de tal maneira que nos cansa. Cansamos de tanta coisa tão rapidamente. Recordo-me de um professor que lembrava que você pode gostar muito de pizza, mas não consegue comê-la todo dia, seu paladar cansa, seus ouvidos cansam ou se esgotam de ouvir a mesma coisa, pode ser uma bela canção ou uma monumental poesia, os seus pés enjoam do mesmo sapato ou se acostumam com ele, tudo em nós parece cansar quando estamos estressados.

I – DE ONDE VEM O ESTRESSE?

É digno de nota o significado semântico da palavra estresse, pois vem da língua inglesa “stress” que significa “pressão”, “tensão”. O estresse vem da insistência externa ou interna, de idéias que caminham na fixação, as quais esbarram na resistência. Mas o estresse tem um ponto positivo, pois ele nos capacita para nos readaptarmos ao novo. Uma situação nova nos estressa. Uma situação velha nos estressa. Uma situação imutável nos estressa. O novo espanta, o velho cansa, e o igual enjoa.

Nessa esteira, posso dizer que o “stress” pode virar “depressão”. Observe que depressão também vem de pressão, ou seja, é o que decorre da pressão; uma pessoa que não agüenta a pressão deita. O golpe emocional a derruba.

Como vimos em linhas atrás, o estresse vem de uma rotina pesada, de um ciclo repetitivo de atividades, de vai e de vem pelo mesmo caminho, de filmes repetitivos, discursos reiterados constantemente. Nós nos cansamos das burrices das pessoas, de suas cegueiras, de seus devaneios, etc. Tem muita coisa que nos cansa, essa é a mais pura verdade. E se a gente viver psicologizando tudo endoidecemos, pois existem pessoas absolutamente excêntricas que se dermos brechas para elas nos adoecem.

Mas o estresse também pode vir de um trauma. Na verdade o vocábulo trauma vem do vocábulo grego trauma (trauma, Gr) que significa lesão. Na verdade é uma resposta psíquica à lesão sofrida, é uma espécie de mecanismo de defesa que se dá por evitamento. O traumatizado evita contato com alguém ou com alguma coisa. O trauma evita a cena, não aceita rever, ou reviver, ou re-ouvir, ou retocar, ou re-cheirar, ou relembrar, ou ressentir, etc.

I.1 – AS FASES E OS PERIGOS DO ESTRESSE

O pesquisador Húngaro Hans Selye foi quem primeiro pesquisou sobre o tema, e dividiu os sintomas em três níveis, verbis:

Alarme – Algo acontece que prende a atenção de tal maneira da pessoa que passa a absorvê-la. Entenda uma coisa! Existem falsos alarmes. Algumas pessoas se estressam com o imaginário eivado de vícios psíquicos, de tal arte que posso afirmar que a melhor maneira de vencer o estresse é desconstruindo o castelo de dúvidas, de medos, e incertezas, e fazer uso da virtude teologal chamada fé.

 

Resistência – A pessoa resiste o fato ou a pessoa, isso constitui-se num processo de desorganização e reorganização do sistema psíquico de defesa contra os estímulos estressores. Aprenda uma coisa, é necessário mudar de foco amado (a). Se algo te estressa, se olhar para algo, alguém, ou para um fato te estressa, desvie o foco, olhe para Jesus que é o autor e consumador da fé.

 

Esgotamento – O esgotamento vem do cansaço da luta que é travada, até que a onda bravia se torne calmaria. Penso que devemos aplicar o Salmo 37, verso 4º, verbis: “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração”.

 

I.2 – OS PERIGOS DO ESTRESSE

            Sei que existem perigos físicos, tais como, desenvolvimento de doenças nervosas, tais como úlceras, gastrites, hipertensão arterial, artrites e lesões no músculo cardíaco, mas, além disso, o estressado torna-se uma pessoa insuportável. Reclama demais, grita demais, chora demais, acusa demais, briga demais, se tornar estressor de outras pessoas.

Face ao exposto, em que pese o que já foi escandido, vale debruço, o que está delineado em Isaías 26:3 "Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti." Ao lado desse texto se deve apor:

“ Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (SL 46:1). Confiar no Senhor é um remédio heróico para vencermos o nosso estresse.  

II – COMO A BÍBLIA TRATA O ESTRESSE?

            Nessa quadra de idéias precisamos considerar o que a Bíblia diz em Romanos 5:3-4 "E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança." 

            Observe que a tribulação é a forma de se adjetivar o estresse na ambiência eclesial e, perceba de que forma o apóstolo Paulo trata o estresse. Ele diz que devemos nos gloriar com o estresse. Isso é deveras interessante, pois nos ensina que se quisermos viver o evangelho sem tribulação alguma (sinomásia) para estresse, não aprenderemos nada, não ganharemos firmeza para adquirimos perseverança, nem tampouco experiência, menos ainda esperança. A mim me parece claro que é necessário se estressar para aprender a perseverar, e que guindada a isso, vem a experiência, e enganchada vem a esperança.

            Então, a Bíblia trata o estresse como uma lição pela qual aprendemos a perseverar, a ganhar fôlego diante de adversidades maiores. Lembro-me que meus ensinantes sempre me diziam quando eu lhes narrava meus sofrimentos pela obra: “Deus está te dando couro grosso”.

Conclusão:

Fecho esse contributo, lembrando-me do filme Rock Balboa, em que o Sylvester Stallone representava muito bem o papel de um lutador de boxe que era resistente aos socos de seus oponentes, é interessante como que ele absorvia bem os socos, como que era resiliente. A vida é assim, a cada soco que é absorvido mais um “round” que se ultrapassa!

           

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