Se tiveres amor farás tudo o que for necessário para agradá-Lo!

Dr. Alexandre R. Metello

Tema: A carta à igreja de Tiatira.

Introdução:

          Introdutoriamente é de se considerar que a igreja de Tiatira (“Sacrifício contínuo”, Gr) foi uma das mais admiráveis. A igreja de Éfeso significa “desejo ardente”, Esmirna significa “perfume”, Pérgamo significa “tratativas do casamento” e Tiatira significa “sacrifício contínuo”. Essa igreja tomou para si, a princípio, o lindo compromisso de servir a Deus, com toda a dedicação. De maneira que o Senhor Jesus Cristo, uma vez mais assinalou que conhecia as suas obras, seu amor, seu serviço, a sua fé, e a sua paciência, bem como as últimas obras que eram melhores do que as primeiras (Apocalipse 2: 19). Isso é muito bom, pois há quem comece bem e acabe mal, e há quem comece mal e termine bem, é certo que essa última premissa é rara.

          Albergadas as verdades acima aventadas, devemos seguir adiante para considerar aspectos indispensáveis para a nossa reflexão, assim sendo, sigamos em frente:

          I Jesus Cristo se apresenta de uma maneira diferenciada

          Nessa carta Jesus Cristo é apresentado como o Filho de Deus (uios tou qeou, Gr – transliteração: Uiós Tou Theou) isto é, aquele que tem a natureza de Deus, isso é matéria afeita a doutrina da monogenética. Que doutrina é essa? É Doutrina que ensina que Jesus Cristo e o Pai têm a mesma natureza, como já ensinamos, a natureza divina.

          I.1 – Jesus Cristo se apresenta como o que tem olhos como chama de fogo

          Olhando para cima, para supra-referida apresentação, tão logo se pensa no prenúncio que João Batista fez da Pessoa do Senhor Jesus Cristo, exarado no Evangelho de Mateus, no capítulo 3º, verso 11, onde ele discrepa entre o batismo n’água e o Batismo no Espírito Santo, deixando por assim dizer às claras que Jesus Cristo batizaria com o Espírito Santo e com fogo. Com os pés nesse terreno cai a lanço a pergunta: o que significa batizar com fogo? Houve muita especulação a respeito do real significado do batismo com fogo, ao ponto de já ter ouvido no passado que o batismo como fogo seria o batismo do Juízo de Deus. Ledo erro. Pois, essa explicação é desacertada por se confundir o fogo do Espírito Santo com o fogo do Juízo. O fogo do Juízo é resultante da condenação enquanto que o fogo do Espírito Santo é producente de purificação.

Anoto que o fogo do Espírito Santo tem um significado que se aproxima e se avizinha daquele atribuído aos objetos, que eram purificados no Antigo Testamento com fogo, objetos esses que eram tomados dos triunfos nas guerras, os quais eram denominados de despojo. Despojo era o conjunto de bens oriundos das vitórias de Israel (Números 19: 20). Uma espécie de “espólio vitorioso”, ou acervo de bens oriundos das conquistas. Assim como os objetos eram purificados quando saíam do domínio dos ímpios e passavam ao domínio de Israel, de igual modo, os crentes que são transportados das trevas para o Reino do Senhor Jesus Cristo, também são purificados com Fogo.

I.2 – Jesus Cristo se apresenta com os pés como latão reluzente

Então, a igreja é purificada pelos olhos de Cristo, é sob esse olhar que Ela caminha, e, pela iluminação dos passos de Jesus. É assaz interessante, os “pés de latão reluzente”. Qual seria o sentido dos pés como latão reluzente? Muitos comentadores trazem as suas reflexões, mas, em meu caso, prefiro trazer uma hermenêutica baseada no diálogo dos textos. Entenda, o latão é um material muito brilhoso, parecido com o ouro, mas com o ouro avermelhado, assim, uma vez mais o fogo está aqui representado. Além disso, não precisamos ir muito longe para saber que o latão é uma liga metálica condutora de calor e energia, de sorte que, a igreja deve se guiar, se conduzir por essa luz que vem dos pés de Jesus Cristo, é da caminhada com Cristo que extraímos a nossa energia. Ainda nesse passo, lembro-me do que está escrito no Salmo 119, verso 105, verbis:

“Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra e luz para o meu caminho”.

          Parece-me que podemos inferir que os olhos de Cristo nos purificam e Seus pés nos orientam.

          II – Os problemas da igreja de Tiatira

          É sempre bom notar que Jesus Cristo elogia as virtudes, mas não passa a mão por cima dos vícios. Ao reverso os denuncia com força, apontando que a igreja errou com respeito a uma falsa profetisa que difundia a falsa doutrina do “nada a ver”. O Senhor chama essa falsa profetisa de Jezabel. É sempre bom lembrar que Jezabel representava a irreverência feminina. A história conta que Jezabel se casara com o Rei Acabe e não o respeitava, aliás, praticamente governava em seu lugar. Recordo-me que quando eu era criança pude ver igrejas que eram dirigidas por profecias de algumas “chamadas profetisas” que ditavam as regras. Na igreja de Tiatira, sublinha-se, a tal da profetisa ensinava e enganava, apregoava a doutrina do “nada a ver”, e com isso, os crentes comiam comidas sacrificadas aos ídolos (demônios) e se prostituíam. O texto é mais agudo quando trata da longevidade de Cristo que soube esperar o arrependimento, então como ele não aconteceu, então, ela iria para o leito, e os que a seguiram viveriam debaixo de tribulação.

          Isso aguça a nossa reflexão: o que acontece a quem segue o espírito de Jezabel? Muitas tribulações (Apocalipse 2: 21,22). O texto traz que o Senhor estaria ferindo de morte os filhos da Jezabel. É forte isso! Deus fere os rebeldes com grande rigor. Ai daqueles que subvertem dentro de uma igreja. No verso 24, Jesus chama os ensinamentos de Jezabel de profundezas de satanás. Todo aquele que ensina a rebelião e a subversão joga o seu alunado nessas profundezas.

          III – Como Deus nos conhece?

          Agora, se tem uma coisa que merece uma redução “eideática”(redução do sentido da coisa conforme Husserl) é o que está plasmado no v. 23, qual seja: Deus nos conhece por dentro, põe em tela, o conhecimento de nossas mentes (recipiente dos pensamentos) e corações (recipiente dos sentimentos). Cada coisinha que pensamos ou sentimos em sua forma mais reduzida Ele conhece. E segue o Princípio da simetria para responder. Ele dá conforme o que produzimos. Se o homem semeia na carne, colhe-se a dor, se semeia no espírito colhe-se a alegria.

 

          IV – Qual deve ser a nossa conduta?

                  Finalmente Jesus ensina que o que temos devemos reter (Jeremias 2: 13), não podemos cair no pecado denunciado pelo profeta Jeremias. Leia-se. Pois o que vencer irá reinar no Quiliasmo (Milênio- Apocalipse 20) com Cristo e terá a estrela da manhã. Lindo isso. Finalmente, quero lembrar que a igreja precisa pensar um pouco sobre o que ensinou Paul Tillich (Teólogo Contemporâneo) que lembra sobre a importância do “holismo”, ou seja, que cultura e religião andam juntas. Daí, penso, e que a maior estratégia de satanás é nos aculturar do “nada a ver”.

 

 

         

         

         

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